Diário de Maria

O Encontro VII

agosto 06, 2014Ricardo Santo


Patrícia invadiu a banheira a meio da madrugada, estava sedenta de sentir a água morna a banhar-lhe o corpo, a invadir os seus recantos enquanto se sentia contemplada pelos olhares indiscretos presentes no pequeno quarto de banho, especialmente aquele par de olhos castanho-escuro inebriantes que já lhe perturbava a mente. Não demonstrou pudor ou qualquer outro tipo de constrangimento pelo facto do estranho estar presente, observando cuidadosamente o balanço do corpo desnudado, pelo contrário, a sua presença somente lhe aumentou a libido e a incentivou a ser mais ousada, especialmente depois da sensual habilidade que aquele safado tinha demostrado ao fazer desaparecer a tanga vermelha do seu corpo. Se existiu alguma réstia de receio a jovem não o demostrou, invadindo a banheira por entre o vapor de água acumulado, para completo gaudio de Madalena que sorria de forma maliciosa enquanto massajava com os dedos o clitóris submerso. Sentiu a companheira a aproximar-se, mãos contendo pedaços de espuma, foi no peito que as sentiu em primeiro lugar, percorrendo suavemente os caminhos da sua pele, deslizando lentamente pelos seus seios, acariciando-os e provocando a imediata excitação dos seus mamilos. Contraiu as pálpebras involuntariamente, recolhendo o prazer que lhe assolava o corpo, Madalena conhecia de cor os relevos e linhas que traçava, aquelas mãos irrequietas e exímias já a tinham sufocado de prazer no passado e ainda hoje, lhe faziam perder o norte, enlouquecendo de forma vertiginosa, submetendo-se à sua vontade. Um jogo insano de polegares sobre os seus mamilos foi mais do que suficiente para lhe incendiar o corpo, estremecendo na água quente com espasmos de satisfação. De imediato recordou a última vez que tinham partilhado os seus corpos, estavam bastante regadas de sangria de ginja, o álcool envenenado percorria-lhes as veias depois da louca noite a dançar, os sorrisos cúmplices e os corpos suados foram o mote para conquistarem o WC da discoteca. O exíguo espaço deu origem a orgasmos múltiplos, a gemidos abafados, a dedos encharcados e a diversas marcas de unhas cravadas na sua pele.

estranho permanecia na penumbra, perdido nos seus pensamentos num desassossego quase infinito. Silencioso espiava, cada pormenor da acção, cada singularidade do sensual jogo feminino, cada detalhe cravado na sua mente perversa, num gozo involuntário tão característico. Estava sem dúvida na sua praia, aquela essência de voyeur que raramente lhe abandonava o corpo, equacionou se haveria maior prazer do que aquele? Aquele acolher de prazer invadindo pelo sentido de visão, toldando-lhe a mente. Regressou no tempo por breves instantes, recordando a última vez que tal tinha acontecido, provavelmente no último evento da Mansão onde se tinha cruzado com Maria durante a madrugada. Apeteceu-lhe de imediato pegar num cigarro ao sentir aquele arrepio na espinha, sua memória atraiçoava-o constantemente ao lhe oferecer recordações daquele pedaço de mulher, flashes sucessivos infestando a sua mente, era evidente, Maria ainda vivia dentro de si. Debateu-se por alguns segundos até se libertar das amarras do passado e regressar ao mundo real, onde dois corpos nus se beijavam sôfregos numa banheira, partilhando energia entre bocas, lábios e línguas que se desafiavam e saboreavam com prazer, sabores que se misturavam num momento de inigualável satisfação onde tudo à sua volta se desvanecia. Involuntariamente a água já abandonava a banheira perdendo-se pelo chão, os corpos hipnotizados rodopiavam e ameaçavam entrar em erupção a qualquer instante. Era fascinante a cumplicidade das duas, transbordavam sensualidade, a vontade latente que as consumia, não existia dúvidas que o desejo da exploração ultrapassava barreiras habitualmente intransponíveis. Sentado naquele velho banco de madeira o seu corpo irrequieto batalhava contra si mesmo, tentando reprimir uma vontade inesgotável de se levantar e aproveitar aquele momento de luxurioso clímax. Lentamente uma ideia começava a se formar na sua mente, entranhando-se, num devaneio de sentidos, sabia perfeitamente que tudo começava com uma ideia, uma simples ideia...


Continua...

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