Diário de Maria

O Encontro VI

julho 30, 2014Ricardo Santo


Patrícia sentiu-se algo incomodada com o comentário da colega de residência, não esperava que a intimidade delas fosse desvendava na frente de um completo desconhecido mas, recusou argumentar e levantar mais questões devido à cumplicidade que as caracterizava, a seu tempo iria repreender a desbocada Madalena. Fitou mais uma vez os olhos castanhos-escuros do estranho invasor, intensos e provocadores, fodendo-a com aquele olhar de santo, depois aquele sorriso gozão, sem vergonha, aquele filho-da-puta já lhe estava a dar tesão e só lhe apetecia bater naquela cara, aplicar umas chapadas bem dadas para o livrar daquele sorriso maroto. Gajos assim torravam-lhe a mente e incendiavam-lhe o corpo de tão sacanas que conseguem ser. Observou Madalena a deslizar sobre a água para um dos cantos da banheira, espuma a balançar entre as pequenas ondas criadas, seios volumosos e firmes convidativos, seria impossível resistir ao convite, ao apelo da luxúria que o seu corpo já estava a sentir. Colocou o camiseiro preto transparente em cima do pequeno lavatório baixando em seguida o top pelo ventre, oferecendo a visão do seu peito aos olhares, era um peito pequeno com mamilos algo salientes que já ameaçavam despontar. Com lentidão descalçou uma bota de cano alto, depois a outra, ficando ambas perdidas pelo chão. As calças de ganga escura desbotadas também acabaram por abandonar o seu pequeno corpo num striptease improvisado naquele minúsculo quarto de banho. Não lhe incomodava os olhares centrados na sua pessoa, apesar de demonstrar alguma timidez tinha aprendido a expor-se ao mundo desde que tinha rumado à grande metrópole, longe estava o tempo da adolescente que saiu de Évora há um par de anos. Despreocupada deslizou as mãos sobre a tanga vermelha que usava naquela noite, foi impossível não reparar que o desconhecido estava hipnotizado por aquela série de eventos, o êxtase estava espelhado no seu rosto, impossível de camuflar, nem o avançar das horas o deixava menos desperto.

- Anda, já arranjei espaço para ti
- Livra-te dessa tanga Patrícia
- A água está deliciosa, pena não haver espaço para três
- Não se preocupem comigo, eu estou muito bem deste lado
- Por vezes três é demais
- Por acaso confesso-me tentada a entrar
- Vocês dão cabo de mim, não vêem eu estou super cansada
- Não vais entrar de folga? Então não te queixes e vem gozar connosco
- Sim de facto vou
- Muito bem, que se dane, quem me retira este pedaço de tecido a mais?

Patrícia observou ao detalhe a forma com o estranho fez a tanga vermelha abandonar o seu corpo. Primeiro deslizou o dedo indicador sobre o contorno do ventre, seguindo a linha do tecido na horizontal, posteriormente sentiu um dedilhar subindo pelas coxas, bastante vagaroso, suficiente para lhe fazer contorcer o corpo e obrigar a morder levemente o lábio inferior. Foi impossível não sentir os nós dos dedos a invadirem o centro do tecido, vários nós seguidos a roçarem o interior dos seus lábios já inchados, queimando tudo na sua momentânea passagem, apostou mentalmente que mais uns segundos e a tanga iria começar a alagar. Dois polegares deslizaram pelas ancas recolhendo o tecido na sua passagem, iniciando uma breve descida, sentiu a pequena faixa a abandonar o seu rego, desaparecendo do seu corpo. O estranho apanhou a tanga do chão, brincou com ela durante breves segundos na sua mão direita, uma zona branca esbatida no centro era visível a qualquer olhar mais atento. Levantou-se do banco vagarosamente e fitou-a com aquele olhar enquanto cheirava o aroma que aquele tecido vermelho oferecia. Inalou prolongadamente, cada segundo pareceu uma eternidade, sentiu-se parada no tempo, incrédula. O odor era tanto que ela própria conseguiu cheirar a sua fragância, tão próximos que estavam, fervendo-lhe o sangue nas veias, violando-lhe o interior, usurpando o ar que respirava. O sorriso regressou, provocador, manipulador, semi-encoberto pela tanga, o desconhecido sabia perfeitamente como a estimular, fodia-lhe a mente a cada minuto passado e ela estava a adorar.


Continua...

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4 comentários

  1. Os cheiros ... Ahhh os cheiros ... Que se entranham, se sentem e ficam em nós!!!
    Beijo

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  2. MissM

    Os cheiros fazem parte de qualquer jogo de sedução, entranham-se, misturam-se e inebriam a alma...

    Um Beijo

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  3. Um .. já estive a ler alguns dos contos, e tb já percebi que tem continuidade. Vamos tentar fazê-lo do início. :)
    Cativante

    Whisper By Her

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  4. Her Whisper

    Obrigado pela visita.
    Sim todas as histórias possuem continuação desde que iniciei o blog. Apanhar um conto isolado a meio pode parecer estranho ou fora de contexto.

    Obrigado

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