Diário de Maria

A Vila VII

julho 25, 2014Ricardo Santo


Maria abandonou o pequeno anexo na Vila completamente extasiada. Ao dar os primeiros passos de regresso à vivenda da tia Fernanda ainda conseguir sentir os músculos doridos da vertiginosa acção que tinha sido exposta na última hora. A sua cona latejava a cada movimento de anca deixando-a com pouca margem de raciocínio tal era a excitação no seu interior. Na mente ainda inebriada os flashes eram sucessivos, uns após outros, intensos, oferecendo imagens consecutivas do sexo desenfreado que as duas loiras lhe proporcionaram, sem dúvida uma ardente aventura para mais tarde recordar. O seu vestido de malha branco e preto estava totalmente colado ao corpo, ainda tórrido da intensidade vivida, tinha sido um encontro inesperado mas, deixava para trás o anexo com a ideia de que tinha valido a pena, tinha sido a melhor coisa que lhe podia ter acontecido após os eventos ocorridos na Mansão. Maria estava numa fase problemática da sua vida onde sentia necessidade de espairecer, de desanuviar, de ocupar a sua mente evitando a todo o custo não pensar no safado do estranho. Aos poucos tinha decidido virar a página, seguir com a sua vida, guarda-lo no baú das memórias e mandar a chave fora, para não voltar a cair em tentação tão facilmente. Não podia viver a sua vida em função de um homem tão evasivo e misterioso, que tanto estava presente e a deixava fora de si como desaparecia sem deixar rasto e nem respondia às suas mensagens. Chegava de estar constantemente molhada somente por antecipar o próximo encontro com aquele vagabundo, por inúmeras vezes necessitou de trocar de roupa interior tal era a descomunal acumulação de fluidos nas cuecas. Estava farta dos seus jogos, de se submeter aos seus desejos e de se entregar ao prazer carnal provocado por ele. Estava na hora de cair fora...

Contornou a vivenda ainda com pequenas gotas de suor no seu decote chegando sem pressa a uma pequena zona de antigas garagens, hoje transformadas em local de arrumações e acumulação de verdadeira tralha arqueológica, local onde as loiras confirmaram que a tia Fernanda pudesse estar a trabalhar. Ao chegar ao local reparou num vulto debruçado sobre uma bicicleta de ciclismo cor cinza, era alto, cabelo meio ruivo cortado rente, corpo musculado e à primeira vista bastante bem constituído. As suas costas eram bastante largas, algo exageradas, possivelmente derivado ao passado que tinha tido na natação profissional, era sem dúvida o Gustavo. Maria recordava-se de algumas histórias sobre o primo que a tia Fernanda revelava à sua mãe por altura do Natal onde era tradição a família se reunir. Aproveitava sempre a ocasião para se gabar dos feitos deste dentro de água, da participação em eventos internacionais, dos troféus e medalhas conquistados mesmo antes dos 30 anos. Maria nunca ligou patavina aos elogios e atenção dados ao primo, pouco ou nada lhe interessava os feitos alheios. Com um elástico apanhou os volumosos caracóis castanhos e decidiu meter conversa.

- Boa tarde
- Boa tarde, posso ajudar em algo?
- Julgo que sim, não me estas a reconhecer pois não? És o Gustavo certo? Filho da Fernanda
- Sim sou, mas peço desculpa, a teu rosto não me é familiar
- Sem problema, não tens nada de pedir desculpas, eu era tão miúda na última altura que te vi
- Sou filha da Adelaide, certamente não me reconheces mas costumavas passar na nossa casa com o teu irmão, já faz alguns anos
- Pois não reconheço mesmo e o meu irmão emigrou para a Suíça há algum tempo.
- Sim ouvi dizer, espero que se esteja a dar bem
- Está pois, até já casou com uma Suíça e tudo, está orientado na vida
- Eu recordo-me da tua mãe mas não de ti, desculpa mais uma vez
- Ora essa, como referi nada de desculpas
- Já agora sabes da Tia Fernanda? A minha mãe falou com ela faz uns dias e eu vinha buscar uma tenda de campismo emprestada
- A minha mãe foi ao Jumbo de Alverca comprar frutas e legumes mas não deve demorar mas, sei perfeitamente onde está a tenda que procuras, posso ir busca-la em poucos minutos
- A sério? Isso seria fantástico, mas não te quero maçar, posso voltar em outra ocasião que a tia já esteja na vivenda
- Não maças nada, anda lá que eu vou buscar…

Maria observou atentamente Gustavo na sua frente a subir as escadas de pedra que davam acesso ao edifício principal da vila, era sem dúvida um homem atraente a nível físico, o corpo estava todo trabalhado e tonificado oferecendo-lhe uma visão que lhe despertou a libido em poucos segundos. A cada degrau subido equacionava a possibilidade de se atirar ao jovem musculado assim que entrassem no edifício mas rapidamente abandonou a ideia da sua mente perversa e desassossegada. Tinha as hormonas em perfeita convulsão interna, fervilhavam de tal maneira que já se sentia novamente húmida entre as pernas, como era possível se ainda há poucos minutos estava dentro do anexo. O primo entrou levando Maria por um corredor estreito que logo abria para uma sala ampla com diversos sofás espalhados pelos quatro cantos. Numa das laterais uma lareira de pedra embelezava o local enquanto no centro, uma fantástica mesa de vidro estava a suportar um par de livros e um pequeno cinzeiro tosco de barro. Gustavo passou por uma estante de madeira envelhecida cheia de livros poeirentos e amarelados apanhando do chão uma tenda de campismo em tons de azul. Ao erguer o volumoso objecto os seus bíceps sobressaíram por entre a t-shirt apertada oferecendo a Maria uma visão que lhe electrizou corpo e mente durante alguns segundos.

- Será isto que procuravas?
- Sim era mesmo isso que vinha buscar mas sabes, acabei de ficar com uma vontade imensa de outra coisa…


Continua...

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2 comentários

  1. Gosto desta tua Maria ... Intensa e sempre com tantas vontades ;)
    Beijo

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  2. MissM

    A Maria é assim mesmo, intensa, luxuriosa, embrenhada no prazer, nem faria sentido ser de outra forma. Está sempre disposta a provar os prazeres da vida.

    Beijo

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