Diário de Maria

O Encontro III

junho 16, 2014Ricardo Santo


elegante Mercedes estacionou no parque de táxis da Praça Duque Saldanha em cima das 4:00h da madrugada. O estranho pagou a tarifa, agradeceu a amabilidade ao taxista por ter esperado nas Amoreiras e abandonou o veículo sentindo no rosto a brisa fresca da noite lisboeta. Com um movimento brusco puxou a gola do casaco de cabedal preto para cima e procurou de imediato o maço de cigarros. Somente restavam cinco cigarros, poucos, muito poucos para o seu gosto, seria complicado passar sem fumar nas próximas horas até os primeiros cafés da capital abrirem. Andava numa fase de fumar em modo automático, um maço e meio por dia sem grande problema, um vicio terrível que mais dia menos dia teria de abandonar. Acendeu um Lucky Strike e iniciou a descida rumo à Avenida Casal Ribeiro, poucos transeuntes circulavam na artéria da capital naquela madrugada, vislumbrou ao longe um casal a estacionar o veículo e a entrar no Hotel Ibis Saldanha, possivelmente para uma madrugada de emoções fortes a dois. Relembrou a última vez que tinha estado num Ibis, tinha perdido a conta aos diversos hotéis do grupo que já tinha visitado quer a nível de trabalho como a nível de prazer. Diversos rostos femininos cruzaram a sua mente num flash, uns atrás dos outros, pequenos fragmentos de outra vida que deixaram mais ou menos cicatrizes. Terminou o cigarro e retirou o IPhone do bolso relendo a última mensagem de texto recebida de Madalena: “Avenida Casal Ribeiro, Nº35, 3º Direito. Toca duas vezes que eu abro a porta, tens de subir de escadas, o prédio não tem elevador”. Madalena residia num pitoresco edifício de esquina recentemente restaurado. Uma porta imponente em ferro, pintado de um verde seco recebeu o estranho na noite. Num gesto rápido pressionou a pequena campainha branca por duas vezes e aguardou, em poucos segundos um som rouco ecoou pelas escadas com o trinco a abrir. O estranho invadiu o interior, subiu os primeiros degraus e desapareceu…

O estranho chegou ao patamar do 3º andar poucos segundos depois encontrando uma ponta entreaberta mas nem rasto de Madalena para o receber. Era curioso por natureza, fazia parte da sua essência mas acima de tudo era cauteloso e astuto, não gostava de ser surpreendido. Empurrou lentamente a porta enquanto a luz da escada se esfumou atrás de si, espreitava agora para um longo e estreito corredor onde o papel de parede desgastado imperava, não conseguiu identificar a tonalidade da cor pela ausência de luz. Ouviu ao longe água a correr abundantemente, entrou fechando a porta atrás de si. Do seu lado esquerdo um pequeno móvel de madeira preto servia de apoio, uma vela vermelha queimada, uma pequena caixa de fósforos e um par de chaves encontravam-se perdidos no topo, pegou na caixa de fósforos, cheiro-a, desde a adolescência que adorava o cheiro do trissulfureto fosfórico. Pousou a caixa e caminhou pelo corredor, sobre os seus pés existia uma passadeira velha e poeirenta, sempre conduzido pelo som da água que corria. Um pequeno quadro estava pendurado na parede, perdido no tempo tal como todo o espaço envolvente, parecia que tinha entrado num cenário de um filme dos anos 70. No tecto vislumbrou algo semelhante a um candeeiro, rústico e imponente, em outros tempos deve ter sido magnifico mas agora somente servia para acolher teias de aranha. A meio do corredor o estranho vislumbrou duas portas, posicionadas frente a frente, ao aproximar-se apercebeu-se de luz a sair por debaixo da porta da direita, uma pequena nesga de iluminação fugia do espaço. Tentou escutar junto da porta de madeira envelhecida, nem um som, somente continuava a ouvir água a correr. A porta da esquerda estava entreaberta, espreitou mesmo com pouca iluminação, o espaço estava completamente deserto. Avançou no corredor aproximando-se de uma outra porta do lado esquerdo, também ela encostada. Quando se preparava para espreitar Madalena saiu sorridente e apressada pela porta espreitando para o corredor cruzando um olhar intenso e provocador com o estranho, apenas uma toalha branca lhe cobria o luxurioso corpo, tapando o peito volumoso até meio das coxas. O cabelo esse estava apanhado em rabo-de-cavalo pela zona da nuca deixando desnudados uns sensuais ombros e pescoço. Os pés esses estavam descalços.

- Estás ai? Já subiste?
- Entra, julgava que demoravas mais tempo a subir.
- Desculpa ter-te convidado assim a meio da madrugada, eu nunca tenho horários definidos.
- Sem problema, eu fiz o turno da noite e já estou habituado a mudanças de horários, não me fazem confusão.
- Olha espero que não te importes de te ter recebido assim mas, vou passar o corpo por água, o dia hoje foi cansativo, estou mesmo a precisar de relaxar os músculos.
- Claro que não me importo, estás à vontade, eu aguardo em qualquer sítio.
- Estava a pensar em algo melhor, não queres aguardar por mim aqui dentro?
- Eu entro para o duche e tu ficas... a observar...

Continua...

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6 comentários

  1. " Eu entro para o duche e tu ficas a observar "

    Beijo Completo

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  2. Girl With Tattoo

    A Madalena é uma moçoila muito marota não achas...

    Um Beijo

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  3. Hum...esse duche promete ser algo de muito bom...será que se aguenta muito tempo só a observar??? :)

    Beijos da Star

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  4. Eu observaria também... mas do lado de dentro do duche ;))))

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  5. Stardust

    Sem dúvida que promete ser algo interessante. Vamos ver até onde resiste...

    Um Beijo

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  6. Quarentona

    Bem-Vinda a este pequeno espaço de prazer e luxuria.
    Do lado de dentro do duche a visão é certamente bem melhor, acompanha os próximos capítulos...

    Um Beijo

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