Diário de Maria

O Encontro II

junho 11, 2014Ricardo Santo


estranho pegou no telemóvel para ver as horas, pouco passava das 3:00h da madrugada, o Largo de Camões estava ao rubro num ambiente típico de sábado à noite. Felizmente tinha parado de choviscar e no ar circulava uma leve brisa, uma mistura de cerveja e tabaco tão característica da zona lisboeta. Levou a mão ao bolso do casaco e retirou o maço de tabaco, sem esforço acendeu um Lucky Strike, necessitava urgentemente de nicotina naquele corpo. Enquanto subia rumo ao Príncipe Real equacionou ligar a Madalena mas rapidamente desistiu da ideia face ao avanço da hora, preferiu antes escrever uma simples mensagem de texto: “Gostei de me cruzar contigo esta tarde, combinamos algo um dia destes? Beijo”. Na sua mente ainda ecoavam os traços da voluptuosa Madalena, pequenos detalhes que o faziam viajar e desejar perder mais tempo a descobri-los, antecipava uma interessante troca de palavras numa esplanada, a partilha de um café, a envolvência dos olhares intensos trocados, sem dúvida que o encontro o tinha deixado inquieto, seria difícil adormecer nas próximas horas, precisava urgentemente de espairecer. A Rua da Misericórdia estava apinhada de transeuntes, juventude irrequieta fervilhava na calçada, grupos mais ou menos compostos, conversas trocadas e muita bebida à mistura enquanto procuravam os principais bares da zona. Finalmente vislumbrou um táxi de serviço, problema constante quando realizava o turno da noite em fim-de-semana. Entrou apressadamente solicitando ao condutor de meia-idade que o transportasse às Torres das Amoreiras. Colocou o cinto, encostou a cabeça no apoio do veículo Mercedes e fechou os olhos. Habitualmente o percurso demorava 10 minutos, tinha perdido a conta ao número de vezes que o tinha realizado.

Despertou do estado de inconsciência momentâneo que tinha mergulhado, teria adormecido? Pelo vidro vislumbrou o campo de golfe das Amoreiras, estava mesmo a chegar. Retirou o telemóvel do bolso, a sua vibração tinha-o despertado de volta para o mundo real. Uma mensagem de texto recebida: “Olá querido, acredita que o prazer foi mútuo da minha parte. Desculpa ter saído a correr, gostaria de te compensar, não consigo cair no sono, aceitas a partilha de um café em minha casa? Ou seria muita ousadia da minha parte? Um beijo”. Não foram necessárias mais palavras para lhe colocar um sorriso maroto no rosto. Sempre adorou a forma provocante de Madalena, não tinha papas na língua, uma mulher muito directa e frontal, sabia perfeitamente aquilo que queria. O táxi parou junto da Torre Nº 2 das Amoreiras, o estranho pagou a tarifa e questionou se o taxista estava com pressa, somente necessitava de ir a casa trocar de roupa e volta a descer em poucos minutos, acordaram um prazo máximo de 10 minutos, caso contrário o taxista seguia viagem. O estranho introduziu o respectivo código no mecanismo de abertura de porta e desapareceu no interior do prédio, enquanto esperava pelo elevador voltou a ler a mensagem de texto: “…seria muita ousadia da minha parte?”.


Continua...

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2 comentários

  1. Certas ousadias valem a pena arriscar. .. ;-)
    Beijo

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  2. MissM

    Sem dúvida que valem.
    Mesmo sem a sua Maria o estranho não deixa de aproveitar...
    ;)

    Beijo

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