Diário de Maria

O Prazer VII

março 12, 2013Ricardo Santo



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Maria sentiu o seu néctar a deslizar pelas coxas, não se tinha contido ao observar a excitante sessão de sexo que o desconhecido e a vistosa loira produziam no fundo do corredor. Sentada de joelhos à porta da casa de banho feminina fechou os olhos, deixou-se transportar para outra dimensão enquanto recuperava o folego e o coração deixava de bater descompensado. Estava a ser uma madrugada surreal e de intensas emoções, necessitava agora de acalmar e de regressar à sua realidade. Deixou o néctar escorrer pelas pernas, pequenos fios quentes deslizavam até cair no chão, sentia-se sem forças para passar a mão e limpar, toda a mansão cheirava a sexo, aquela fricção de corpos suados, uma mistura de odores inebriante que se entranhava na pele. Equacionou se seria possível dormir após uma noite daquelas. Sentiu passos no corredor, ritmados, fortes, masculinos de certeza, alguém se aproximava. Molhou os lábios enquanto abriu os olhos, estavam totalmente secos, nem a sua própria saliva os hidratou. Recusou aceitar a imagem da figura que se aproximava, não podia ser ele, não ali naquele momento. Rejeitou aceita-lo na sua mente, como se duma fantasia se tratasse, um truque da sua mente para a atormentar aquela hora da noite. Voltou a olhar o desconhecido que caminhava na sua direcção, automaticamente o seu coração arrancou, galopando violentamente sem destino no chão daquele corredor, conseguia senti-lo a pulsar junto da boca a cada novo passo do desconhecido, as mãos tremeram de imediato sem hipóteses de controlo, era aquele o efeito que ele produzia nela, um perfeito descontrolo, aquele era o seu estranho. Tentou recordar a última vez que tinham estado juntos, a peripécia do Palácio no início do ano. Aquela viagem desconcertante de prazer e deleite que tinham aceitado percorrer juntos e que a tinha tatuado para sempre. Fora algo que sempre desejara experimentar e não saíram rogadas as suas expectativas. Desde essa altura que tinha tentado falar com ele, não respondia às SMS, não atendia os seus telefonemas, evitava qualquer contacto com ela, tinha desaparecido tal como tinha entrado na sua vida. Maria recordou-se de uma noite chuvosa que até adormeceu à porta do seu Apartamento em Alvalade, aguardando o seu regresso a casa, algo que nunca chegou a acontecer. 

- Necessitas de ajuda a levantar?
- Eu estou bem, não te preocupes.
- Que fazes por aqui meu cabrão?
- Tal como tu recebi o convite, sabes que não gosto de faltar quando pedem a nossa presença
- Pois…
- Levanta desse chão anda, eu ajudo-te
- Viste o espetáculo há pouco no salão?
- Isso não se pergunta, estiveste deslumbrante como sempre, adorei a tua entrega
- Quem era a loira do corredor?
- Não faço ideia, nunca a tinha visto antes desta noite
- E tinhas de a foder não era? Tão típico da tua parte. Porque não atendes as minhas chamadas? Custa-te assim tanto?
- Larga-me que eu consigo levantar-me sozinha, não necessito da tua ajuda, não necessito de nada teu
- Porque mentes a ti própria?


estranho não obteve resposta, Maria entrou de rompante pela casa de banho feminina deixando um rasto da sua essência no ar, por momentos apercebeu-se de uma lágrima que lhe escorria pelo rosto jovem, o seu coração ficou apertado, detestava fazer aquele tipo de papel, corroía-lhe o corpo e mente sentir o resultado das suas acções, detestava magoar alguém por quem tinha sentimentos, aquela mulher dava-lhe a volta à cabeça. Abandonou o corredor em passadas largas rumo às escadas, necessitava urgentemente de apanhar ar. Aguardou uns segundos pela entrega do seu casaco e despediu-se da mansão invadindo a madrugada. Continuava a chover na capital, o inverno não dava tréguas neste novo ano. Inspirou fundo um par de vezes e mergulhou na Avenida da Liberdade enquanto puxava de um Lucky Strike. Perdeu a conta a quantos cigarros fumou antes de entrar encharcado no metro da Avenida. Recusou rumar a casa, não estava com estado de espírito suficiente para aceitar a sua cama e almofada, dificilmente iria pregar olho depois do que se passou e mais-valia circular pela metrópole. Puxou do telemóvel, duas chamadas não atendidas de Tânia, a miúda que tinha conhecido recentemente no Bairro Alto. Na sua mente passou em flash a invasão ao prédio e o delicioso sexo oral que obteve da morena nessa noite. Não lhe retribuiu a chamada devido ao avanço da hora, também equacionou enviar uma mensagem a Maria mas afastou esse desejo guardando novamente o telemóvel no bolso direito das calças. Amargurado fechou os olhos e seguiu sem rumo estação após estação, na sua mente entoava a música dos ingleses Radiohead...

I want you to notice
When I'm not around
You're so fucking special
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doing here?
I don't belong here


Fim...

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5 comentários

  1. We all belong ... to something ... if nothing else ...
    to ourselves ... and that's enough!

    A música 5*

    Kiss*

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  2. Ana

    Nem tudo o que parece é, a vida das duas personagens hoje pode estar do avesso mas amanhã podem voltar a chocar.
    Qualquer semelhança com a vida real é pura coincidência...

    Beijo *

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  3. MissM

    Yes we belong...
    ... To someone

    Kiss You **

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  4. Nem de propósito...

    http://evafireandice.blogspot.pt/2013/03/eu.html

    Kiss

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