Diário de Maria

O Bairro II

novembro 07, 2011Ricardo Santo

Imagem roubada daqui


Pray to your god, open your heart, whatever you do, don't be afraid of the dark, cover your eyes, the devil's inside, one night of the hunter, one day I will get revenge…” o estranho cantarolava baixinho um dos temas mais conhecidos dos 30 Seconds to Mars enquanto descia a rua e se embrenhava no meio da multidão. A banda dos irmãos Leto fazia parte da sua essência, ficava inebriado com algumas músicas. O Bairro Alto fervilhava no fim-de-semana lisboeta, ambientes misturados, muita animação, conversas trocadas, rostos joviais, copos quentes palpitando à meia-luz dos candeeiros, uma típica noite bairrista. Puxou de mais um Lucky Strike acendendo-o enquanto se dirigia tranquilamente ao local combinado, tinha tido sorte naquela noite, não é todos os dias que se consegue um engate de forma tão subtil. Levou a mão ao telemóvel para ver as horas, já passava das três da manhã. Não demorou muito para vislumbrar a sedutora morena, sozinha, perto da esquina, mãos nos bolsos do casaco de cabedal, cabelo a esvoaçar ao sabor da brisa aguardando a sua chegada. Estava a ser uma noite perfeita e ainda agora tinha começado.
- Estava a ver que não vinhas. Fiquei receosa que não tivesses entendido o sinal. Nem sei como consegui enganar o João.
- Para bom entendedor meia palavra basta. Entendi à primeira e já devias saber que as mulheres conseguem sempre tudo o que querem.
- Sim confesso, quando quero algo habitualmente consigo, tenho esse dom.
- E existe algo que queiras neste momento?
- Sim, quero o que tens entre as pernas e quero rapidamente.
A primeira porta que tentaram abrir estava fechada mas tiveram sorte à segunda. Com um simples empurrão de Tânia a porta de madeira desgastada do prédio abriu-se para eles chiando ao ser invadida. Rapidamente as luzes do bairro foram-se desvanecendo atrás deles, os risos e conversas caladas e o mundo exterior esfumando-se dando lugar a um mundo de descobertas. O estranho viu-se de imediato assaltado pela morena que lhe devorava os lábios com intensidade e se entregava ao seu prazer. Num pequeno flash aquele ataque selvagem fê-lo recordar Xana, a última louca que o tinha levado ao castigo, ainda hoje vibravam quando trocavam olhares no health club. Línguas quentes entrelaçadas no meio de saliva trocada alimentavam os corpos sedentos de luxúria, a temperatura elevava-se exponencialmente. Mãos sedentas percorriam os contornos dos corpos delineados enquanto os lábios se fundiam e se provavam com apetite. Tânia estava alucinada com tal intensidade que não se conteve e lhe mordeu o lábio inferior devido à excitação, estava possuída de anseio. O estranho gemeu baixinho com tal investida e segredou-lhe ao ouvido “vais pagar por essa, não esperas pela demora”. A falta de visão aumentava todos os outros sentidos que estavam naquela altura ao rubro. O estranho agarrou-lhe os longos cabelos puxando-a para junto de si forçando-a a aninhar-se no seu peito, atacou-lhe o pescoço com desejoso beijando-o e sorvendo o sabor da sua pele bronzeada enquanto lhe apertava uma nádega com força e apetite. Provou o corpo quente e deslizou até à orelha da fêmea que se contorcia à passagem da sua língua deslizante. O rasgo serpenteado de saliva deixado incendiava o corpo da guerreira que estava prestes a explodir. Levou a ponta da língua a percorrer cada contorno da orelha, o trabalhar da língua, um lóbulo perdido entre os seus lábios quentes, sentiu umas unhas cravadas no seu blusão de ganga, aguentou o fervor inicial, o sinal do desassossego emocional. A morena contrapôs e retirou-lhe o casaco deixando-o perdido pelo vão de escada, levou ambas as mãos ao cinto que se abriu como por magia no meio da escuridão, quando deu por si a parceira já estava ajoelhada com o seu sexo teso entre as mãos, nos minutos seguintes iria ser devorado com tanta mestria que iria ficar na história. Tânia contemplou a oferta que tinha acabado de adquirir, totalmente depilado, pela primeira impressão soube de imediato que não iria resistir a tamanha tentação. Ajoelhada sem preconceitos começou por abocanhar o membro do estranho entre as sombras, quente e pujante, já tinha saudades de se deleitar com um belo membro, era bastante mais saboroso do que o sexo do seu namorado João. Fechou os olhos e sem retirar o sexo da boca levou as mãos à cabeça ajustando os longos cabelos atrás das costas. Destroçou o sexo de forma gulosa notando que este se inflamava de entusiasmo ao seu capricho. Encostado à parede o estranho contorcia-se e saboreava o presente nocturno, Tânia era sabida e muito perspicaz, era sem dúvida uma mulher que sabia procurar o que queria. A morena começou por saborear a ponta com habilidade, percorrendo cada saliência com a sua língua marota, circulou lentamente pela cabeça do membro procurando receber pelo toque as vibrações que não conseguia sentir pelo olhar, toda ela estremecia de satisfação após cada toque. Não se conteve e sentiu a necessidade de envolver os seus lábios finos no início daquele pau quente. Iniciou o habitual vai-e-vem ascendente e descendente dentro da sua boca, adorava senti-lo bem dentro de si, o calor tórrido e intenso a navegar na sua garganta apertada. Sentiu uma mão a invadir os seus cabelos, apoiando-se e conduzindo-a virtualmente. A morena tentou colocar-se na sua pele e imaginar o que ele estava sentindo naquele preciso momento, era incontornável o prazer que demonstrava a cada gemido solto. Lá fora vozes irreconhecíveis e despreocupadas passavam aleatoriamente pela porta sem qualquer ilusão sobre o que se passava no seu interior, o desejo era incontrolável. Os seus lábios recreavam-se com o sexo de forma cada vez mais natural, habituando-se a cada contorno, ora fazendo aparecer, ora fazendo desaparecer o mesmo de forma audaz, ouvindo os gemidos do parceiro e salivando-se sem vergonha, não era nenhuma santa. Fez sair o sexo do seu interior e resolveu provoca-lo à sua maneira predilecta, com a mão direita, uma estocada leve, uma rápida, uma leve, uma rápida até iniciar o habitual batimento sincronizado que levou o estranho a contorcer-se cheiro de tesão, não lhe iria dar tréguas, ia faze-lo vir para si, iria ter direito a tudo naquela noite em Lisboa. Não se preocupou minimamente com a ideia de serem apanhados naquele local, a percepção até a incentivava a manter aquela perversa ousadia, somente aumentava a sua libido. A sua mão escorregava pelo membro entre a saliva ardente, sem perder o ritmo atacou as bolas com desejo envolvendo-as à vez no interior da sua boca gulosa. Provou e presenteou o estranho com requinte saboreando de forma luxuriosa aquele banquete. A sua língua não dava descanso e perdia-se nas formas redondas e excitantes do parceiro que estava praticamente no auge. Aumentou a intensidade das estocadas com a sua mão e preparou-se para receber o néctar dos deuses na sua boca, queria provar o seu sabor, aquele paladar tão característico a rodopiar no interior da sua boca e entre a sua língua antes de descer e incendiar a sua garganta. Fechou novamente os olhos e não teve de esperar muito, o estranho soltou um jacto direccionado entre um gemido perfeitamente audível nas escadas. Tânia recebeu os impactos no seu interior e nos dentes até se aproximar e abocanhar novamente o membro. Aguardou o fim da ejaculação e sorveu cada porção tendo o cuidado que não deixar escapar uma gota sequer, era tudo merecido. O líquido ardente percorreu o seu interior queimando cada cm percorrido fazendo-a vibrar de intensidade. Lambeu por diversas vezes os lábios gozando daquele momento tão seu. Acreditou que por aquela altura as suas cuecas já estariam impróprias para consumo, sentia-se molhada e húmida de tanto tesão acumulado, questionou-se se também ela tinha atingido o orgasmo, era mais do que provável. Adorava um bom broche quando o parceiro a sabia levar. De súbito o silêncio foi interrompido, a luz da escada acendeu-se e uma porta bateu num dos andares superiores do prédio. Durante alguns segundos os olhos de ambos ambientaram-se ao clarão produzido. Tânia levantou-se enquanto o estranho puxava os boxers e as calças para cima. Saíram pela porta de rompante para a viela, até o estranho interromper a fuga e voltar a abrir a porta, baixando-se para apanhar o casaco de ganga e abandonar o local ainda com o cinto desapertado.
- Anda que temos um táxi para apanhar, tenho um local para te mostrar
Continua...

You Might Also Like

33 comentários

  1. Pupilas dilatadas, calor...

    um texto deliciosamente escrito!

    (aguardando o que virá)

    ResponderEliminar
  2. Não fizeste esperar muito...
    Muito bom... o texto... as sensações que provocam... o quase sentir-me na pele da morena...




    Gostei muito, só para que fique escrito!
    Beijo

    ResponderEliminar
  3. Nany C.

    Obrigado pela visita e pelas palavras quentes.
    Também gostei bastante de o escrever, para breve a continuação...

    ResponderEliminar
  4. Me

    Prometi que não iria demorar muito, nem sempre existe tempo livre mas tem-se arranjado algum nos últimos dias. O que referes no comentário e exactamente o que pretendo transmitir para esse lado, conseguires encarnar a personagem, fazeres parte dela e deixares a tua mente ser invadida pelas minhas fantasias. A mente depois transporta as sensações para todos os recantos escondidos do teu corpo.

    Quando consigo fazer isso através da escrita é porque o texto está realmente bem conseguido. Para breve a continuação, não gosto de dár tudo de uma só vez...

    ResponderEliminar
  5. Santo Diabinho,
    Está bem escrito sim... aliás também gosto de me esmerar da mesma forma, se o consigo só o leitor saberá dizer.


    Quanto a dar tudo duma vez... como costumo dizer, há vinhos que devem ser degustados devagar para melhor se lhe saborear o sabor... ;)





    Beijo

    ResponderEliminar
  6. É muito interessante quando conseguimos transmitir sensações e prazeres a pessoas que não conhecemos de lado nenhum e tão pouco sabemos como são. Se é esse o objectivo da tua escrita, parece-me que o conseguiste - lendo os comentários alheios - mas também me parece que há mais para explorar.

    ResponderEliminar
  7. Me

    Mais uma vez agradeço as tuas palavras.
    Apesar de não gostar muito de vinho sou levado a concordar que existem coisas na vida que merecem ser saboreadas devagar.

    ResponderEliminar
  8. Uma leitora

    Obrigado pela visita a este canto.
    O intuito deste blog mantém-se o mesmo desde o primeiro dia. Não é um espaço pessoal onde o blogger se revela e se traduz aos leitores, blogs do género são encontrados em cada esquina, alguns deles bastante interessantes.

    O intuito dos Desejos Escaldantes não tem o foco no blogger mas sim nas palavras que saem da sua mente para as fantasias e delírios aqui publicados. Não interessa quem está desse lado a ler, o que interessa é escrever algo o mais real possível para o leitor se identificar e se envolver nas diversas personagens que vão desenhar as aventuras. O intuito é levar o leitor a perder-se nas palavras e conseguir receber as sensações de tento transmitir.

    Transmitir desejo, emoções, sentimentos ou simples luxuria nas palavras não é algo fácil de fazer, especialmente se for um texto extenso. Obrigado pelo teu comentário e espero que tenhas oportunidade de ler alguns dos textos que aqui encontras.

    Quanto ao haver mais para explorar, é algo irrelevante para o caso...

    ResponderEliminar
  9. Tenho de ir mais vezes ao Bairro Alto, fiquei com muita vontade de deambular por lá e estar atenta a quem passa! :)
    Parabéns pela escrita!

    ResponderEliminar
  10. Sem Reino

    Obrigado pela tua visita a este pequeno canto.
    Espero que gostes e te identifiques com o que se arranja por aqui. Julgo que não deves deambular muito por esse local, nem tudo o que parece é...

    ResponderEliminar
  11. Desde um dia zero que te leio, como sabes, e é muito giro ver a (tua) evolução e o modo como a tua história se altera, no twist and turn intricado das aventuras de Maria??? Ou será do Estranho?

    Também sabes que sou ultra crítica, nunca te poupando, precisamente porque adoro quando te ultrapassas.

    Não é o meu favorito, falta-lhe aquela subtileza sensual que me deixa a latejar, mas gostei deste teu novo registo, mais "down to earth" ou literalmente, mais no vão das escadas.

    Espero bem que não desapareças de novo!

    Beijo cúmplice, right THERE!

    ;)

    ResponderEliminar
  12. Nada é irrelevante, afinal a mudança no comportamento do Estranho também não se deve ao acaso.
    Tal como os 30 Seconds to Mars que são...especiais.

    ResponderEliminar
  13. Stargazer

    Bem-vinda de volta a este pequeno espaço de mau caminho, tens sempre a porta aberta. Espero-te a cada novo post neste meu regresso, como sempre aconteceu até hoje. O desenrolar da história por vezes pode indicar um caminho mas rapidamente pode ser invertido assim queiram os desejos da minha mente. Nunca existiu um caminho a percorrer nos Desejos Escaldantes e tanto a Maria como o Estranho como qualquer outra personagem fictícia não traduzem forçosamente o blogger, os seus apetites ou o seu estado de espírito.

    Aceito como sempre as tuas críticas directas e construtivas, sabes que somente com elas evoluímos na escrita mas não é fácil regressar aos textos após algum tempo de ausência tal como não é fácil ganhar o ritmo necessário para me transcender nas palavras, tudo a seu tempo.

    ;)

    ResponderEliminar
  14. Uma leitora

    Tudo o que tenha a ver com o blogger é irrelevante para as aventuras aqui encontradas. Como expliquei no comentário anterior os textos falam por si e este espaço não é pessoal.

    A mudança de comportamento do estranho neste meu regresso é facilmente explicada. Houve uma grande ausência da minha parte e era necessário efectuar uma ponte entre os textos antigos e os novos. A ausência da Maria tinha de ser explicada aos leitores e o melhor que se arranjou foi ela ter fugido para a Guarda para casa dos pais durante alguns meses. Mais uma vez a mudança em nada teve a ver com o blogger.

    Em todas as personagens fictícias destas aventuras existem traços da minha personalidade, era impossível tal não acontecer. A banda dos irmãos Leto é um desses casos.

    ResponderEliminar
  15. Devil,

    Sabes que me aqueces o coração com as tuas calorosas boas-vindas, és uma pessoa que ocupa um lugar especial no meu, e sabes bem disso.

    A tua escrita reflecte o que tu quiseres, e, independentemente do que seja, é única na sua descrição.

    Confesso-te que já tinha saudades de te ler e de sentir um certo frémito prespassar-me como quando o Estranho e Maria se encontram na célebre garagem/cave. Muita tinta poderia correr (ainda), mas fiquemos pelas novidades do Bairro.

    Beijo entre o Clube da Esquina, o Portas Largas e o Bedroom

    :)

    (Stargazer)

    ResponderEliminar
  16. Delicia.... consegui sentir o sabor na boca.

    ResponderEliminar
  17. Santo,
    Dei o vinho como exemplo, mas deixa-me que te diga que também não sou grande apreciadora de vinho... lá se for um licor...




    Beijo

    ResponderEliminar
  18. Stargazer

    Sabes bem que parte de mim nunca partiu definitivamente deste lugar. São muitas historias e aventuras misturadas nas personagens, acabam por fazer parte do próprio blogger. Como referes a minha escrita reflecte alguns traços pessoais e obviamente é única, não por ser diferente ou melhor do que se encontre em outros blogs do género mas sim por ser minha.

    Esse conto já antigo que referes por sinal é do menos reais que consegui escrever. Foi um conto de devaneio onde o irreal se mistura com o real, muita coisa não faz sentido durante toda a acção. Mas ainda hoje é dos mais visitados nas estatísticas.

    ;)

    ResponderEliminar
  19. Cadelona

    Bem-vinda a este espaço e espero que gostes das aventuras que encontres. Se o sabor conseguiu fazer efeito desse lado é porque estou no bom caminho. Ao contrário do que pensam não é fácil chegar com palavras a quem possa estar desse lado a ler um texto extenso.

    Aguardo a tua visita num próximo conto...

    ResponderEliminar
  20. Me

    É bom saber que estamos de acordo em diversas situações. Afinal o que faltou ao texto para te sentires totalmente embrenhada na pele da Morena?

    ;)

    ResponderEliminar
  21. Há muito de real por aqui :)

    ResponderEliminar
  22. Anónimo

    Neste espaço tudo pode ser real ou ser pura fantasia. Cabe a cada leitor identificar ;)

    ResponderEliminar
  23. Quando se junta a fantasia à realidade é a cereja no topo do bolo!

    ResponderEliminar
  24. Santo,
    O que faltou foi ser morena... é que essa palavra foi repetida muitas vezes, e arranhava sempre, é que não sou burra, mas sou loura.

    :))






    Beijos

    ResponderEliminar
  25. Uma leitora,
    A alteração do comportamento do estranho não se deve ao acaso não, deve-se a novas vivências ;)

    ResponderEliminar
  26. Me

    Se assim é aconselho a recuar no tempo e a encontrar três contos (O Pub, A Noite, A Loira). Acredito que sejam mais do seu agrado pelas personagens intervenientes...

    Espreite e confirme
    ;)

    ResponderEliminar
  27. Anónimo

    Nada do que parece é.
    O estranho é uma simples personagem fictícia e o seu comportamento pode ser caracterizado de diversas formas por cada leitor.

    ResponderEliminar
  28. Uma personagem ficticia com traços de uma personagem bem real:)

    ResponderEliminar
  29. Anónimo, se se deve a novas vivências, parece-me que só ao Santo Diabinho dizem respeito.

    ResponderEliminar
  30. Uma leitora,

    Se só a ele dissessem respeito não eram partilhadas ;)

    ResponderEliminar
  31. Santo,
    Trata-me por tu, f.v.
    Que me fazes sentir velha!


    Vou seguir o teu conselho! :))





    Beijos

    ResponderEliminar
  32. Dear God...

    Eu não vou seguir este espaço, vou persegui-lo, calmamente, com pezinhos de veludo...

    Beijo, santo.

    ResponderEliminar
  33. retiro o que disse...

    Welcome to my evil place
    Podes entrar, sentar-te e desfrutar do que sai da minha mente. Deixa-te invadir pelos desejos...

    Podes perseguir desde que não abuses ;) com pezinhos de veludo aceito...

    Beijo

    ResponderEliminar

Popular Posts

Tumblr

Contact