Diário de Maria

O Apartamento II

novembro 22, 2011Ricardo Santo

 Imagem roubada daqui


Maria despertou do sono sobressaltada devido à chuva que batia fortemente nos estores. Lisboa era assaltada por uma chuvada violenta que se fazia sentir naquela manhã de Domingo. Tinha perdido completamente a noção do tempo e do espaço, onde estaria? Como tinha vindo parar aquela cama? Não recordava o que se tinha passado nas últimas horas, a sua última recordação tinha ficado no chão junto à porta da entrada, tudo o resto tinha-se esfumado. Sentiu o conhecido odor masculino presente na sua almofada, inalou ao mesmo tempo que fechava os olhos, inebriando-se, sentindo todos os poros da sua pele a arrepiar-se. A seu lado o seu estranho dormia tranquilo, respirando serenamente, deitado com o tronco desnudado, o peito cativante a desflorar sobre o edredão de penas. Contemplou-o durante alguns segundos, cabelo muito preto cortado curto, pele morena e cuidada, traços masculinos bem delineados, lábios sensuais, sobrancelhas perfeitas, barba que ameaçava despontar a todo o instante, um charme que escondia uns magnéticos olhos castanho-escuro bastante rasgados que a derretiam a cada penetração de olhares, era simplesmente arrebatador. Tentou-se situar momentaneamente, pela fraca luz que invadia o espaço já devia ter amanhecido. Nunca antes tinha estado dentro do seu apartamento, observou o quarto com maior atenção, a cama onde se situavam era enorme, de ferro preto com uma cabeceira larga a condizer, tinha uma armação de ferro bastante trabalhada em estilo gótico, a sua mente depravada idealizou instintivamente um jogo de sedução e luxúria ali mesmo, amarrando o parceiro naquela teia de ferro, abusando dele a seu belo prazer. A cama estava posicionada no centro da divisão, não existiam mesas-de-cabeceira, nem quadros pendurados pelas paredes, somente uma pequena poltrona perdida do seu lado com alguns livros policiais amontoados. O seu casaco de malha descansava sobre eles. Por mais que tentasse não conseguia discernir a cor do quarto, por vezes parecia cinzento, por vezes um verde pálido. A falta de adereços inquietava o espaço dando-lhe um aspecto algo tenebroso e misterioso, a ausência de luz também não ajudava. Sentia-se a torrar com tanto calor, afastou o edredão que a consumia obrigando-se a despir o vestido de caxemira que tinha escolhido para o reencontro. Era todo liso, tingido por um azul água resplandecente, caindo-lhe pelo sensual corpo até perto dos joelhos. Tinha-o adquirido recentemente na H&M e ficava-lhe a matar. Abandonou-o no fundo da cama ficando somente com a lingerie pérola sobre o corpo onde caia o pendente de prata, a sua butterfly de estimação.

Avançou delicadamente com uma mão marota pelo peito quente do estranho, sentindo os seus contornos entre os nós dos dedos, os músculos bem delineados envolvendo a sua mão, o toque suave da pele conhecida. Percorreu a zona abdominal, o peito perturbante, subindo pelo pescoço e rosto eloquente que dormitava, adorava aquele pedaço de mau caminho, tinha estado tempo demais afastada, tinha assumido o erro da fuga, o afastamento só tinha piorado a situação, onde tinha a cabeça na altura? Estava na hora de pagar por todos os seus pecados. Iria obter perdão? Navegou livremente pelo corpo a seu belo prazer deliciando-se com cada perímetro e saliência do estranho, tinha um corpo bem cuidado, apetecível ao olhar, afastou o edredão revelando uns boxers brancos meia-perna muito justos da Sloggi. O seu corpo começava a transbordar desejo, pedia agora mais acção, os sentidos em total sintonia. Levou a mão sobre o leve tecido sentindo o inchaço de prazer por revelar, escondido do mundo no seu interior, tremeu ligeiramente só de imaginar o que se ocultava naquele local. Deliciou-se durante alguns segundos torneando o membro entre os seus dedos, envolvendo-o em redor, mimando-o, preparando-se para a acção. Foi de súbito assaltada por uma vontade voraz de consumir aquele sexo, uma agonia de desejo fulminante que lhe elevou a temperatura do corpo e a obrigou a explorar o membro por debaixo do tecido. Quase que se salivou ao sentir a temperatura escaldante do sexo a torrar a sua mão, instintivamente os seus mamilos fizeram o seu aparecimento, salientes, tesos, roçando na copa do soutien. Maria não se conteve com aquele membro que protestava por libertação, não aguentava mais, tinha sido por ele que tinha regressado, baixou os boxers com veemência, sorriu involuntariamente, molhou os lábios com a ponta da língua…

Passou o palpitante sexo pelos dedos relembrando os seus contornos, depois pelos lábios, sorvendo-o, provando-o, forçando-os a abrir para o experimentar. O desejo era tal que quase soluçava por voltar a sentir aquele membro dentro de si. Iniciou o habitual vai-e-vem ascendente e descendente dentro da sua boca gulosa, adorava senti-lo, o calor abrasador a navegar na sua garganta, o odor a inebriar-lhe a alma. Os seus lábios carnudos recreavam-se, ora fazendo aparecer, ora fazendo desaparecer o membro de forma destemida, salivando por tudo o que era parte. Sentia-se sôfrega provando aquele pedaço de carne vibrante enquanto a chuva se fazia sentir com mais intensidade nas persianas. Era uma tortura de sabores que a infligia a cada chupadela, lambia-se descompensadamente com a saliva que escorria, aquele sabor conhecido que a deixava derretida. Ardia por dentro desnorteada, de olhos bem fechados, mãos pressionando as fortes e musculadas coxas masculinas, sentindo o fogo sufocante que trespassava a pele do seu corpo a cada enterradela daquele sexo bem fundo na sua boca, esta era a sua punição, sentia-se consolada, era este o seu castigo. Provocou o membro totalmente excitado e teso com a sua mão, uma estocada leve, uma rápida, uma leve, uma rápida até iniciar o habitual batimento sincronizado de levar às lágrimas, não lhe iria dar tréguas, ia faze-lo atingir um orgasmo monumental, tremia só de imaginar o que ia ter direito, conseguia sentir as suas coxas totalmente molhadas de tanta excitação, estava em êxtase. Levou a mão livre atrás das costas retirando os colchetes do soutien que se perdeu pela cama fazendo balançar os seus seios. Os seus mamilos tesos e excitados já não aguentavam o engaiolamento dentro do tecido, necessitavam de libertação. Não necessitou de muito mais tempo para atingir os seus objectivos, o estranho estava em ponto de rebuçado, estava na hora, o orgasmo explodiu bem no meio dos seus dedos, jactos de leite quente esvoaçaram pelo quarto rumo à sua face, lábios, boca e peito provando aquele sabor agridoce tão especial. Agora sim estava de volta…

Continua...

You Might Also Like

21 comentários

  1. Grande regresso sem duvida :)

    Até acho que assim sendo o Estranho não se importaria que Maria desparecesse mais algumas vezes..

    Elogio-te a capacidade de descrever com tanta mestria..Fantástico!!!

    Senti-me Maria..só me falta o Estranho

    E esta pu** de música..

    Beijos sedentos

    ResponderEliminar
  2. Que mais devo acrescentar???

    Terrivelmente envolvente. Quero mais!!!

    ResponderEliminar
  3. Black Angel

    Obrigado pelas palavras quentes, ouvi dizer em tempos que eu não escrevo, causo orgasmos psicológicos. Acredito que seja isso mesmo que os leitores sentem ao mergulharem nas personagens e percorrerem os caminhos do pecado.

    Um estranho espreita a cada esquina...

    Beijo

    ResponderEliminar
  4. EROTICAMENTE FALANDO

    Sedenta como sempre, nunca satisfeita ;)
    Obrigado por mais esta visita, és sempre bem vinda ao meu mundo de luxuria. Sabes que gosto que te percas nas minhas palavras...

    Beijo

    ResponderEliminar
  5. Na minha opinião, podias fazer um intervalo maior entre um capítulo e outro. Assim, dás tempo a quem te lê para ficar na ânsia pelo capítulo seguinte.

    ResponderEliminar
  6. Intervalos?! Para quê?

    Diabinho :)
    Aproveita a inspiração e da-nos contos quentes carregados de prazer e tentação..uns atrás dos outros..estocada atrás de estocada..:)porque a ansia está sempre presente ;)

    Quanto aos orgasmos psicologicos..sim pode-se dizer..mas esses transformo mais tarde em fisicos..

    Beijos..a esvoaçar pelo quarto..em direcção á tua..

    ResponderEliminar
  7. Devil,

    And the guy remains asleep?

    Ihihihih

    (Qualquer dia esta página de comentários vira editorial de sugestões bem ao estilo da revista Maria...)

    :)

    Luscious kiss in the basement (ah, que saudades!)

    ResponderEliminar
  8. Uma leitora

    A minha escrita tem tudo a ver com tempo livre. Por vezes é abundante e consigo escrever de forma regular por vezes é muito pouco e estou meses sem conseguir actualizar o Blog. Podia perfeitamente fazer um intervalo maior entre os capítulos, seria agradável para aumentar a curiosidade mas seria bem pior para quem habitualmente segue as aventuras, perdia facilmente o rumo dos acontecimentos.

    Beijo

    ResponderEliminar
  9. Black Angel

    Para tal é somente necessário tempo livre, o resto é o que sair da minha mente e imaginação que acaba aqui perdido no blog.
    Para breve a continuação...

    Beijo

    ResponderEliminar
  10. Stargazer

    Quando Maria está presente o estranho é muitas vezes passado para segundo plano. Por vezes é bom ficar somente a sentir, recebendo sem fazer qualquer movimento. Aguardar o sabor do vento e ir navegando, desta vez guiado pelas mãos e boca gulosa de Maria.

    Mas em breve ele vai despertar...
    Beijo

    ResponderEliminar
  11. Devil,

    Não precisas de o dizer, leio-te desde o primeiro dia, remember???

    Conheces-me o suficiente para saber que não são as descrições físicas dos body fluids exchanges entre o Estranho e Maria que me fazem subir a te(n)são, mas sim o jogo de sedução traduzido nos detalhes sensuais que acontece entre eles...tudo o resto são peanuts!

    Beijo sofisticado envolto em seda cor de marfim, ;)

    ResponderEliminar
  12. Stargazer

    Nem sempre se consegue levar a escrita a esse nível de detalhe e envolvimento das duas personagens ;)

    Beijo

    ResponderEliminar
  13. pois não...

    mas pode levar-se a imaginação!

    ;)

    ResponderEliminar
  14. Que perfeição! Parabéns! beijos
    Marina

    ResponderEliminar
  15. E foi hoje que vim aqui fazer o merecido comentário ao regresso da Maria. Excelentes detalhes, que me colocaram no lugar dela... as sensações que consegues com a tua escrita são fantásticas.

    Gosto de ler e sentir! :)






    Beijos
    Aguardo o acordar do estranho...

    ResponderEliminar
  16. Stargazer

    Com a imaginação vale tudo, só é necessário deixar ir. Vamos esperar para ver o que o reserva as cenas do próximo capitulo.
    ;)

    Beijo

    ResponderEliminar
  17. Marina

    Bem-vinda a este espaço e obrigado pelas palavras quentes. Perfeição é algo impossível de atingir mas fico agradecido pelo teu comentário.

    Espero-te de regresso para a continuação...

    ;)
    Beijo

    ResponderEliminar
  18. Me

    Já sabes que por este espaço o detalhe faz-se sentir, aqueles pequenos pormenores que activam a mente, que a envolvem para as minhas palavras.

    É uma das melhores maneiras de atrair o leitor para dentro da acção, vestires o corpo de Maria, navegares com ela quase ao ponto de conseguires sentir o que ela sente. É transcendente...

    ;)
    Beijo

    ResponderEliminar
  19. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  20. Hummmmmmm que delícia.
    Dá vontade de não parar de ler. Quero mais, please.
    Obrigada pela sua visita no meu blogue
    Bjs prometidos

    ResponderEliminar

Popular Posts

Tumblr

Contact