Diário de Maria

O Hotel

junho 07, 2011Ricardo Santo

Imagem roubada daqui



O estranho consultou o telemóvel, nada de mensagens, mais um dia a chegar ao fim sem novidades. Retirou um Lucky Strike do maço acendendo-o, travou pausadamente, observando o fumo a desvanecer. Fazia cerca de um mês que tinha perdido o contacto com ela após aquela tórrida noite no palácio, Maria simplesmente desaparecera da face da terra. Não atendia as chamadas, recusava-se a responder aos seus avanços por SMS, uma atitude que o intrigava bastante. Estava uma noite amena na cidade do Porto, apesar de ser da capital adorava as visitas em trabalho ao norte do país. Ultimamente não aconteciam com a frequência desejada mas sentia-se bem por regressar. No MP3 tocavam agora os Bush de Gavin Rossdale com o tema Glycerine. Adorava o som grunge que tinha marcado o início dos anos 90 e que se tinha perdido no tempo. Continuou a descer sem pressas a Via Catarina observando os transeuntes inquietos e as montras cheias de artigos em promoção. Ainda faltavam alguns minutos para a hora marcada. A montra da FNAC dava destaque ao recente livro de Paulo Futre “El Português”, realmente o que o povo quer é diversão, hoje em dia qualquer tosco publica um rabisco. A avenida estava movimentada, muitos estrangeiros ainda circulavam aquela hora da noite, mesmo com a dita crise não deixavam de visitar o nosso país. O estranho chegou ao ponto de encontro mesmo em cima da hora, Café Majestic, um dos mais antigos e pitorescos de toda a cidade, adorava-o. Sentou-se, pediu um café curto e aguardou a sua companhia.
Rita chegou passados alguns minutos com o seu andar sedutor, o estranho contemplou-a intrigantemente enquanto se aproximava. Era uma rapariga interessante na casa dos 30, casada, sem filhos, trabalhavam na mesma empresa há um par de anos e era hábito conviverem sempre que motivos profissionais o traziam à cidade. Trazia uma túnica em tons de cinza com um largo decote em forma de barco, estava descaída de forma provocatória deixando à vista o ombro direito onde sobressaiam algumas tatuagens. O interior deixava transparecer uma camisola justa preta por cima do peito. Usava umas leggings totalmente pretas e calçava umas Melissas rasas em tons alegres de laranja e amarelo. A vida de casada não a tinha tratado mal, Rita desfrutava de um corpo sensual e bem cuidado, tinha uma aparência bastante jovial presenteando-lhe um ar cativante. Era dona de umas pernas de meter inveja a muita gaja e uns seios avantajados terrivelmente apetitosos. Cumprimentaram-se de forma calorosa como habitualmente, eram bons amigos e adoravam a companhia um do outro. Tinha havido uma empatia imediata quando se tinham conhecido e agora desfrutavam uma cumplicidade fantástica. O estranho não conseguiu identificar o perfume que a companheira escolheu para a ocasião mas gostava da essência, Rita definitivamente sabia caprichar nos detalhes. Sorrindo calorosamente sentou-se a seu lado e pediu um Capuccino ao empregado.
Colocaram rapidamente as novidades em dia, conseguiam sempre ter motivo de conversa mesmo falando regularmente pela Internet. Mexericos e cusquices da empresa estavam sempre no prato do dia. Enquanto conversavam o estranho não conseguia ficar indiferente à beleza latina que caracterizava a companheira, pele ligeiramente bronzeada, cabelo preto escorrido pelos ombros, olhos esverdeados atrevidos e uns lábios sedutores que tinham o seu quanto baste de tentação. Rita também tinha um pequeno piercing na narina esquerda, um pequeno brilhante que parecia ferir o seu olhar. A noite portuense estava cativante e conversaram durante largos minutos entre sorrisos e confidências. Era claro o à-vontade de ambos, a troca comprometedora de olhares, a noite prometia o desvendar de mais sabores em breve. Abandonaram o café quando este se preparava para fechar, tinham sido os últimos clientes a sair. Embrenharam-se na Via Catarina em direcção à Praça da Batalha, local onde Rita tinha deixado o seu Smart. Enquanto se dirigiam ao veículo Rita ia remexendo na sua pulseira Pandora com os mais diversos adereços que usava no pulso esquerdo, estava tensa e o estranho notava alguma inquietação no seu interior, evitou questiona-la sobre o assunto e manteve-se curioso sobre o tópico da conversa de Rita, as eternas guerras e picardias de trabalhar rodeada de mulheres. Uma vez chegados à Praça da Batalha o estranho apontou para o seu hotel, local onde iria passar a noite. Observou a parceira nos olhos inundando-se no seu verde encantador, Rita transmitiu o seu pensamento manifestando um sorriso maroto e cativante, a ideia de rumar ao Smart ficou imediatamente por terra. O estranho adorou a ideia.
Entraram no hall do hotel faltavam dez para a meia-noite. O estranho já tinha perdido a conta às vezes que tinha ficado ali hospedado nas suas vindas ao Porto, era um hotel bastante acolhedor e tranquilo, ideal para passar uma óptima noite. Dirigiu-se à recepção para levantar a chave e seguiram pelas escadas rumo ao primeiro andar. Rita seguia na frente subindo as escadas de forma provocadora, o estranho não conseguia ficar indiferente ao sensual corpo da companheira, estava imensamente excitado, aprisionado na teia de sedução da fêmea. Com um movimento ligeiro esticou os braços e colocou ambas as mãos nas ancas fazendo Rita apoiar-se com ambas as mãos na parede. Aproximou-se por detrás encostando o seu corpo totalmente ao dela, forçando Rita a contorcer-se contra a parede. Sentiu as costas quentes invadindo o seu peito e aproximou-se lentamente do ouvido enquanto as suas mãos inquietas iam subindo por debaixo da túnica, tocando com a ponta dos dedos na pele arrepiada de Rita. Sussurrou…
- Se me continuas a provocar vais ao castigo.
- Isso é uma promessa?
Continua...

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5 comentários

  1. Se é uma promessa espero vê-la cumprida...
    Aguardando pela continuação.
    Beijos

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  2. Assim está bem melhor, hehehe
    Obrigada!! ;)

    O post, deliciosamente cativante e bem escrito.
    Bom retorno!
    Beijo

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  3. oi querido,,obrigada pela visitinha,,,adorei suas historias,,olhe tu escreves muito bem,,devia escrever é um livro de contos e não só aqui no blog,,,

    bjinhos

    ana casada

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  4. Não vou repetir aqui o que disse em minha casa. Mas que é uma delícia ler-te, é!

    Beijo sussurrado na escadaria :)

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