Diário de Maria

O Palácio

janeiro 19, 2011Ricardo Santo


Maria bateu à porta com a mão ligeiramente a tremer, sentia-se tensa e ansiosa. Era imponente, totalmente em madeira trabalhada com diversas imagens esculpidas. Estar de madrugada naquele lugar era algo que há muito desejava e pretendia experimentar. Ansiava por algo diferente e tinha pedido ao estranho para a surpreender, ele prometera que aquela noite ia ficar na sua memória durante bastante tempo. O estranho permanecia próximo dela, fumando um Lucky Strike pacientemente enquanto observava o pinhal em redor, adorava a envolvência daquele local. Vestia um casaco de cabedal preto com uma simples t-shirt branca por baixo. Calças de ganga também pretas, o seu estilo habitual. Maria sentiu as pernas a tremer quando o mordomo abriu a pesada porta. Era totalmente careca e vestia um fraque em tons de preto e cinza, deveria andar na casa dos sessenta anos. Fez um leve sinal com a mão para entrarem. O estranho apagou o cigarro com a ponta dos All-Star e acompanhou a parceira ao interior do palácio. A entrada era ampla e decorada a preceito em tons de dourado, diversos quadros pintados a óleo na parede, enormes vitrais, espelhos e estatuetas diversas aprimoravam o local, um autêntico regalo para os olhos. No topo um enorme lustre contemporâneo em metal trabalhado iluminava o espaço enquanto duas enormes escadarias formadas por balaústres subiam ao céu, uma em cada lado da sala. Maria segurou no braço do estranho, enquanto o mordomo indicava para subirem.

Maria estava nervosa, o estranho sentia-lhe a respiração ofegante e agitada. Subiram as escadas vagarosamente, a decoração era fascinante e pairava um aroma agradável no ar. Trocaram pela primeira vez olhares, cúmplices, profundos, sentidos, estavam ambos ávidos de desfrutar a intensa noite que tinham pela frente. Chegaram a um pequeno patamar com um bar decorado de acordo com espaço envolvente. Um garçon servia descontraidamente bebidas a um casal de loiros que segredavam palavras e trocavam carícias encostados ao balcão. Maria pediu a sua primeira bebida da noite, uma vodka limão, enquanto o estranho preferiu acender mais um cigarro. Depressa identificou o som ambiente The Doors, adorava a sonoridade única daquela mítica banda norte-americana. Observou em redor com maior atenção enquanto dava um trago, dois longos corredores saiam em sentidos opostos, longos e pouco iluminados, pareciam intermináveis. No corredor da direita uma figura aproximava-se, mesmo sem observar o rosto era perfeitamente visível os contornos femininos. O estranho engoliu em seco quando vislumbrou a ruiva, alta e esbelta, cabelo longo, sapatos de salto alto preto e somente com uma tanga preta vestida. Era extremamente sensual, contornos graciosos, andar confiante, pele em tom de amêndoa e seios de tamanho médio. Cruzou de imediato um olhar intenso com a fêmea, adorava o jogo de olhares, observou-a prolongadamente, estudando-a ao pormenor, estava arrebatado. Dirigiu-se ao bar e pediu dois martinis que foram servidos em copos altos. Piscou um olho ao garçon e regressou ao corredor abanando o rabo de forma provocadora. Antes de desaparecer na escuridão olhou para trás contemplando-o.

Maria bebia pacientemente a sua vodka sentada num banco alto, aproveitando cada minuto para suster a sua ansiedade. Desde que tinham chegado que o casal de loiros não parava de a observar de forma provocadora. De início sentiu-se incomodada mas rapidamente o álcool iniciou o seu efeito libertador. Retirou o casaco deixando à mostra o sensual vestido preto que comprou especialmente para a ocasião. Era muito atrevido, justo, terminando a meio das coxas. Tinha a particularidade de o fecho estar de lado e não tinha alças, deixando os ombros desnudos. O loiro mirou-lhe as pernas de forma sedutora e produziu um leve sorriso. Sentiu-se de imediato cativada pelo olhar indiscreto e lascivo. Puxou o estranho para junto de si beijando-o, implorando num sussurro que a fizesse ter a melhor noite da sua vida. O casal de loiros levantou-se na mesma altura iniciando o caminho para o corredor à direita. O rapaz piscou-lhe o olho antes de abandonar o bar, um claro sinal que se podiam juntar a eles caso estivessem interessados. Maria terminou a sua vodka e entraram no mesmo corredor seguindo o casal ao longe. O corredor era largo, sem mobiliário decorativo e pouco iluminado. Para ambos os lados notavam-se aberturas amplas possibilitando uma visibilidade completa para o interior. O aroma no ar mudou rapidamente, uma mistura de perfume e corpos suados. A música ambiente também dera lugar a pequenos gemidos, sussurros e gritos abafados que inundavam o corredor. Observaram a primeira entrada à direita, um espaço amplo, sofás vermelhos de ambos os lados, uma cama redonda enorme ao fundo e peças de roupa espalhadas pelo chão. Num dos sofás estava sentada uma morena com o cabelo apanhado completamente deliciada com o sexo do parceiro que permanecia de pé. Pela sua expressão de prazer estava a rejubilar o felattio. Deitada em cima da cama estava outra figura feminina com pele muito branca, aproveitava a ocasião para se regalar com um vibrador entre os seus seios volumosos. Maria sentiu o coração a disparar com a provocante cena que se passava naquele local. Observaram ao longe o casal de loiros a desaparecer numa das entradas. Maria agarrou fortemente o braço do estranho, cravando as suas unhas enquanto chegavam à segunda entrada. Gemidos intensos oriundos do interior chamaram a sua atenção. O espaço era mais pequeno que o anterior, somente ocupado por uma cama de tamanho XXL, a maior que tinha visto em toda a sua vida. Os olhos de Maria arregalaram de imediato ao contemplar a tórrida cena erótica no interior, as pernas tremeram-lhe e quase que desfaleceu. Identificou três raparigas e quatro rapazes nas sombras, literalmente envolvidos, estocadas intensas, gemidos misturados, mãos e bocas sedentas, trocas de prazer violento entre as quatro paredes. Ficou hipnotizada, uma sensação indescritível, parecia a recriação de um filme porno, ficou subitamente com desejo de entrar e juntar-se ao grupo. 
      
O estranho retirou o casaco de cabedal e conduziu Maria até à entrada seguinte, também ele já se encontrava num estado de excitação pleno, ninguém conseguia ficar indiferente à luxúria daquele local. No espaço já se encontrava o casal de loiros, trocando carícias e beijos prolongados num dos sofás. O espaço ainda era menos iluminado do que os restantes, tornando-o mais acolhedor e misterioso. Maria sentiu de imediato um cheiro a incenso de canela que pairava no ar, seduzindo-a ainda mais. Levou a mão direita ao fecho do vestido e correu até ao fundo fazendo o tecido cair na alcatifa vermelha escura. Debruçou-se sobre a cama com os saltos altos e gatinhou provocatoriamente abanando-se para o estranho. O contorno do seu corpo na sombra deliciou-o principiando um crescente desejo no seu interior. Maria perdeu-se nas enormes almofadas e chamou-o até si…    

Continua...

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19 comentários

  1. Sinto-me completamente inebriada!

    Invadida...
    Por mãos que deslizam pelo meu corpo agora suado!
    Desperta-me o fogo do desejo estas palavras por mim já vividas!
    Esta essência...
    O sabor...
    Os aromas...
    O escuro pintado de vermelho...
    Este lugar sublime onde depositei não só a minha carne, mas também a minha alma!
    Este lugar que me obrigou a soltar gemidos, que deu vida às minhas fantasias...
    Simplesmete onde fui o que sempre desejei ser!

    Gostei de recordar algo semelhante!

    Obrigada *

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  2. Obrigada por me acompanhar caro diabinho... tbm tenho gostado muito do que leio por aqui... de uma criatividade e sensibilidade incrível...

    Parabéns!

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  3. Luxúria sentida que me fez lembrar "Eyes Wide Shut"...sensualidade crepitante nas palavras que provocam um calor tórrido...

    "On Fire" com esta nova aventura...

    Quero MAIS!

    Beijo de olhos vendados ;)

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  4. Muito bem!!

    Só estranho uma coisa...
    ...o nosso mordomo não é careca! ;)

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  5. Por acaso quando li "palácio" lembrei-me dos Principes. ;)

    Mas...well done, keep going.


    beijos

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  6. Um ambiente que desperta os sentidos.

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  7. "Maria" é um elixir, renovador de energias, neste limbo virtual!
    As suas aventuras, das mais simples ás mais devassas, são descritas num registo erótico-inebriante...
    Incrivelmente sedutores... Maria e, seu autor!

    Aguardo a continuação...





    Basium
    [com o coração a disparar :)]

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  8. No palácio e na vida, Maria é rainha dos seus escaldantes desejos.
    Algo a ver, com desassossegos da alma/corpo?! ;)

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  9. Já há muito que te encontrei... mas só hj assumi isso publicamente.
    Seguir-te-ei :)
    bjs

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  10. Aii papai!!!

    maria maria o menina mulhe devassa. das que faz por que gosta e sabe fazer.

    bjs
    Insana

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  11. Venho retribuir a visita ;)
    Obrigada pelo comentário e como sou menina bem educada: sigo-te, dou-te a conhecer aos meus leitores, e como ainda não tive tempo, não te li. Mas fa-lo-ei concerteza! A seu tempo comentarei ;)

    Beijos e ahhh, pela vista rápida que dei, acho que tenho uma desafio bom para ti, espreita no post da sexta-feira passada ;) ou no de amanhã "E porque hoje é sexta-feira..."

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  12. Começo a gostar da ideia... quem disse que mais do que dois é multidão?

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  13. A forma como este texto está escrito provoca a imaginação... Muito bom. E a imaginação, meu caro, é uma coisa perigosa, e quanto melhor ela for mais perigosa fica..

    Beijo

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  14. Uh... Party time! lol
    Já não lia nada assim tão bom e bem construído há uns dois anos...
    Vou-te seguir ou talvez perseguir!
    beijo

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  15. Uma longa história,está neste Palácio!
    Voltarei,para a continuação.
    Beijos

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  16. Este comentário foi removido pelo autor.

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  17. Um palácio digno dos aconteciemntos principescos
    Beijo de luar
    ...

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  18. Olá Diabinho!
    Depois de algum tempo afastada por problemas particulares e profissionais, estou retomando o ritmo normal do blog!
    Meu blog mudou de endereço, siga-me por lá!
    www.lenalopezblog.com
    Saudades!
    BJOS
    Lena

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