Diário de Maria

A Luxúria

dezembro 16, 2010Ricardo Santo


 Maria clicou no botão fazendo sair o talão de pagamento e precipitou-se para o interior do estacionamento mal a cancela levantou. No rádio tocavam os Nirvana com o tema Heat Shaped Box, adorava a música e há anos que não a ouvia. Olhou para o relógio Calvin Klein que tinha no pulso esquerdo, marcava 23:15h, atrasada como de costume, a pontualidade não era uma das suas características. Fez avançar o carro pelo parque de estacionamento até encontrar um lugar livre no piso -2. O seu coração batia de forma galopante, sentia-se ansiosa e algo perturbada por regressar aquele local. Desligou o carro e deixou-se ficar sossegada por alguns segundos a recompor-se. Por momentos regressou atrás no tempo, há poucas noites atrás, onde um completo desconhecido tinha explorado os seus sentidos. Tremeu ao recordar pequenos flashes do escaldante encontro que tinha tido e hoje como ia ser? Ligou a luz de presença e levou a mão ao espelho retrovisor contemplando-se, da mala retirou um encantador gloss royal red da Maybelline, que fundiu nos seus lábios. Contemplou as mãos, unhas pintadas de preto para a ocasião, combinando com a lingerie que trazia vestida. Era dia de provocação, o gajo hoje ia saber quem mandava ali. Saiu do veículo fazendo arrastar a sua gabardine, por debaixo vestia apenas a sensual roupa interior que tinha recebido naquela manhã como prenda, dirigiu-se ao elevador. Ao chegar contemplou-o: o mesmo elevador do outro dia de onde surgira o estranho de surpresa. Tocou no botão de chamada e passados alguns segundos a cabine abriu, completamente vazia.  

Maria entrou na cabine sem saber muito bem o que fazer, o instinto natural dizia-lhe para subir à superfície até ao largo de Camões, mas acabou por carregar no último botão que encontrou, descendo ao piso -4. Admirou-se nos vários espelhos enquanto descia, por cima de um deles estava uma pequena câmera de video-vigilância, uma pequena luz vermelha piscava no topo. Questionou-se se o desconhecido a estaria a observar. A cabine parou abrindo as portas, Maria espreitou a medo para o vasto parque, completamente escuro e desolado, não havia sinal do gajo. Por momentos foi atingida por medo, ficando assustada, era completamente louca por estar naquele local remoto às horas que eram, se aparecesse alguém o que ia dizer? O elevador fechou-se atrás de si iniciando a lenta subida. Estava agora completamente sozinha na escuridão. A sua única companhia eram as luzes verdes de presença que marcavam as saídas de emergência. Enquanto rondava o local o elevador desceu novamente fazendo o seu coração bater mais intensamente, quem seria? O abrir de portas foi demorado e começou de imediato a tremer, de dentro saiu o estranho.

- Parvo, és tu. Estou aqui cheia de medo.
- Descansa, estás em boas mãos. Obrigado por teres vindo.
- Nem era para vir... Mas diz lá, como sabes a minha morada?
- Chega de conversas.

O desconhecido levou a mão ao bolso retirando um pedaço de tecido cumprido. Aproximou-se de Maria e segredou-lhe ao ouvido. Vou vendar-te e vens comigo, não tenhas medo. O desconhecido colocou-lhe a venda pegando-a em seguida pelo braço. Maria sentiu-o próximo enquanto caminhava num vórtice de emoções, estava tensa e o seu pensamento voava de forma desenfreada, imaginou para onde estaria a ser levada, não tinha sido bem aquilo que tinha previsto, o intuito era ser ela a dominar e não o contrário novamente. Andou cerca de dois minutos no completo silêncio até parar e ouvir o barulho de chaves, o estranho abriu uma porta e entraram no compartimento. Notou uma breve luminosidade a entrar por debaixo da venda, o local cheirava ligeiramente a mofo e sentia água a cair. Sentiu a proximidade do estranho, o calor da sua respiração, estava junto da sua face, contemplando-a. Maria juntou as mãos e deixou-se estar muito quieta, enquanto sentia uma mão a percorrer-lhe os caracóis e um intenso cheiro a perfume masculino que não soube identificar. 

            - Que me vais fazer? Posso ao menos saber?
            - Não te vou fazer nada. Só quero observar.
            - Observar? Não entendo…
            - Nem sequer sei o teu nome…
            - Em breve vais entender e o meu nome não é relevante.
            - Digamos que não tenho nome.
- Não gozes comigo, claro que tens nome, como soubeste a minha morada? Retira-me a venda ou retiro-a eu.
            - Fazes perguntas a mais.
- Se a retirares ficas aqui sozinha e nunca mais me vês, estamos entendidos?
- Muito bem que queres que faça? Porque estamos aqui?
- Atrás de ti tens uma parede, identifica-te com ela e mostra-me o que tens vestido por debaixo dessa gabardine.
- E tu?
- Eu fico aqui sentado nesta cadeira, a observar…

Maria ouviu um arrastar de cadeira na sua frente, o seu coração palpitava, tentou-se concentrar, largando o medo, as mãos tremiam um pouco. O local parecia quente mas com tanta excitação o calor até poderia brotar do interior do seu corpo. Captou uma maior intensidade de luz por debaixo da venda, o estranho tinha mexido em algo que lhe apontava agora luz directamente. Deu um pequeno passo atrás, depois outro até se virar e esticar as mãos meio às cegas, procurando na escuridão, caminhou mais um pouco até a sua mão direita tocar em algo. Com os dedos trilhou o local tentando-se situar, tinha as mãos molhadas! Água morna? Aproximou-se, era de facto uma parede e sentia agora a água, morna, a escorrer pela parede. Voltou-se ficando frente a frente com o estranho, levou as mãos à cintura começando a soltar o cinto da gabardine. Abriu-o um pouco de forma a que ele espreitasse o interior, esticou uma das pernas para o provocar, realçando as meias e o cinto de ligas, sentiu-se observada e excitou-se com a conjuntura. Deu um passo atrás encostando-se à parede sendo invadida por água que navegava pelos cabelos e pela gabardine, gemeu baixinho ao sentir a água a descer pelas suas costas, molhando o corpete e descendo pelas pernas. Suavemente fez cair a gabardine, deslizando-a pelos ombros, deixando-a cair até à cintura. Encostou as costas à parede, os seus ombros foram invadidos por água que escorria agora em direcção ao seu peito. Retirou totalmente a gabardine deixando-a cair aos seus pés colando-se em seguida à parede. Sentiu uma onda de prazer quando o seu corpo foi inteiramente conquistado pelo fluido quente que escorria, estava encharcada, as suas mãos percorriam agora a parede, investigando cada saliência, abrindo bem os braços para que o estranho a apreciasse. Estava completamente inebriada com aquela sequência, todo o seu corpo se contraía, estava estupidamente excitada e não se conseguia controlar, aquele cabrão agitava-a de tal forma que sentia desnorteada, completamente entregue aos seus prazeres.

Maria começou, então, a explorar o seu corpo tocando-se lentamente. Primeiro nos ombros e no pescoço, imaginado que as suas mãos eram as do estranho que tinha na sua frente. Os seus dedos percorriam o seu peito encharcado e o tecido da lingerie aumentando o tesão. Baixou-se iniciando o ritual de desprender o cinto de ligas, primeiro na perna direita, com movimentos suaves, fez soltar habilmente os encaixes e depois a perna esquerda, seguindo o mesmo ritual. Em seguida levou uma mão ao ombro e fez descair uma das alças, depois a outra, acariciando-se ao mesmo tempo, sentiu-se puta fazendo um strip para um habitual cliente. Virou-se, encostando-se bem à parede, fazendo a água jorrar sobre os cabelos longos, pela venda e pelo peito excitado. Levou as mãos às ancas, curvou-se um pouco e fez sair a tanga bem vagarosamente baixando-a, mostrando o seu rabo de forma provocatória ao voyeur. Rodou novamente o seu corpo, encostando as costas à parede, num movimento hábil faz sair completamente as cuecas pelas suas pernas, deixando à vista o seu sexo. Tocou-lhe, passando suavemente a mão direita pela penugem, excitando-se lentamente. Com as costas a roçar na parede, agachou-se e abriu um pouco as pernas tocando nas coxas. As suas mãos navegaram, molhadas, pelos contornos das pernas até desaparecerem no seu sexo. Invadiu a sua gruta de prazer, escaldante e húmida, sentindo com os seus dedos os lábios externos, o seu sexo emanava um calor descomunal, tocou-se intensamente ao mesmo tempo que as suas costas eram invadidas por água. Levou dois dedos para o seu interior retirando-os em seguida, levou-os à boca saboreando-os, chupando-os um a um, misturando o gosto com o batom que usava. Adorava proporcionar prazer a si própria especialmente com um voyeur à sua frente. Levou a mão à copa do corpete e baixou-a desvendando os seios, os mamilos estavam erectos. Agora sentia-se pronta para tudo e chamou o desconhecido até si…

Continua...

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12 comentários

  1. A pedido de várias familias cá estou eu para comentar esta Maria luxuriante, depravada, ousada e bastante safada.
    Confesso que me revejo em alguns dos gestos dela. E esse desconhecido misterioso.. Ai que até dá um formigueiro na barriga ;) Poderoso ele e de que maneira.

    Beijos quentes e molhados com um toque de pimenta ;)

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  2. Querida S

    A tua presença neste pequeno canto é essencial, sabes bem disso. Fazes parte dele de uma maneira ou de outra.
    Ainda bem que consigo transmitir sensações que te fazem viajar e navegar na leitura.

    Fazes-me bem
    Quero esse beijo e retribuo com outro ardente
    ;)

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  3. Este delicioso excerto fez-me lembrar uma tórrida cena ao som de Sexual Healing de Marvin Gaye, e um lover voyeur que tive.

    Era uma delícia maturbar-me para ele, nas mais diversas situações, quanto mais tresloucadas melhor. Até a um dia em que...

    ...em que...

    Beijo Silk&Satin, Leather&Lace

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  4. Ninguém conhece o nosso corpo tão bem como nós... e é delicioso tocarmo-nos para outra pessoa.

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  5. Star

    Excelente escolha musical, não escolheria melhor.
    Sou voyeur por natureza, e a masturbação feminina é algo de transcendente, única, fascinante.

    Até ao dia em que...
    Em que...
    Te fartaste?

    Kiss

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  6. Desejo Evidente

    Acredita que também é delicioso estar do outro lado, observando, recebendo sensações...
    Simplesmente divinal
    ;)

    Beijo

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  7. Eu sei que faço parte deste canto pecaminoso ;)
    Mas sabes bem que gosto de fazer parte dele.
    Gostei de saber que te faço bem
    Tu dizes-me mt e fazes parte de mim e mais palavras para quê?

    O beijo é teu e mais os que queiras
    Beijo intenso, escaldante, arrepiante... nosso

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  8. Devil's Angel,

    Até ao dia em que ele decidiu que me queria ver com outro, dois protagonistas em acção no seu filme imaginário...

    Os outros takes ficam off blog!

    Beijo de Sharon Stone :)

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  9. Querida S

    Sei muito bem que gostas de fazer parte deste pequeno lugar.
    Mais palavras para que? :)

    Beijos quero... muitos... escaldantes
    ;)

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  10. Star

    Todos nós temos fantasias e hidden desires.
    Dois protagonistas seriam certamente um filme luxurioso, um complemento misterioso numa mente desejosa...

    Aceito esses beijos e devolvo outro...
    ;)

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  11. Retribuindo a visita... E saiu seguindo, pois, merece... seus contos são atrevidamente excitante...

    Nic.

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  12. Sıмρſєsмєηтє Ɲic...

    Bem-vinda e obrigado pela visita.
    Espero que venhas mais vezes :)

    Beijos intensos

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