Diário de Maria

O Desconhecido

novembro 09, 2010Ricardo Santo



Noite de chuva forte em Lisboa, Maria estava sozinha em casa, aborrecida por ter de estudar para mais um exame de Matemática, detestava a disciplina. Apesar da noite fria, vestia somente um pijama fresco, camisola azul clara com um boneco qualquer estampado e calça branca. Por baixo não usava soutien e apenas uma cueca branca em formato de asa delta, adorava sentir os seios livres, roçando na camisola. Tinha passado o dia todo a estudar e já se estava a passar, estava cansada de decorar tantas fórmulas que iria necessitar para o exame, na tv passava um programa qualquer sobre culinária que não dava muita atenção, apesar de gostar de ajudar a mãe na cozinha, não estava muito virada para aprender a fazer a mousse de manga que o apresentador demonstrava na tv. Deitada no sofá da sala, brincava com o seu cabelo castanho longo, há algum tempo que o deixava crescer, já estava pelos ombros, resplandecente, cheio de vida e com vários caracóis reluzentes. Por momentos fechou os olhos, deixando o seu corpo sensual deslizar pelo sofá, sentia-se ensonada, fez deslizar o livro de matemática que tinha ao colo, este caiu no chão fechando-se de seguida, por hoje chegava de estudar. Ao seu pensamento regressou a imagem do vulto que tinha encontrado no Chiado, quando estava no café Starbucks. Tinha pensado nele a tarde toda, nem tinha conseguido concentrar-se no estudo da melhor forma, o desconhecido não lhe saia do pensamento, tinha mexido com ela. Recordava perfeitamente os acontecimentos do dia anterior ao dar um passeio pela baixa da cidade, tinha acabado de começar a chover e entrou no Armazém do Chiado para procurar abrigo, aproveitou e subiu as escadas rolantes até ao café Starbucks, queria beber algo quente para aquecer o seu corpo. Pediu um café Caramelo Macchiato o seu favorito, adorava sentir a mistura quente de café com caramelo na sua boca. Depois de pagar a conta e sair reparou num vulto subindo as escadas observando-a, vestia uma camisola preta, usava óculos e tinha o cabelo preto cortado muito curto, sentiu-se imediatamente invadida pelos seus olhos, não aguentou a provocação e desviou o olhar, nunca se sentiu confortável penetrada por um olhar. Guardou a carteira na mala atabalhoadamente e quando voltou a procurar o estranho tinha desaparecido, andou até às escadas rolantes procurando-o mas ele tinha sumido. Ficou a pensar se seria alguém conhecido, alguém da faculdade? O seu rosto não lhe era estranho. Voltou novamente a procurar mas só encontrou desconhecidos abrigados da chuva. Quem seria? Deu um longo golo no seu café quente e desceu as escadas, a chuva estava finalmente a parar, apertou melhor o cinto da gabardine preta e saiu novamente à rua, cheirava a castanhas assadas. Começou a subir para largo Luís de Camões, tinha deixado o carro no parque subterrâneo. Passou por diversas lojas até chegar ao café A Brasileira com as suas esplanadas despovoadas mas apinhada de estrangeiros no interior. Já perto da entrada do parque observou novamente o vulto, tal como ela dirigia-se ao estacionamento. Meio empolgada decidiu acelerar o passo mas foi detida na passadeira, sinal vermelho para peões, observou-o a desaparecer no interior do parque. Tinha a certeza de já ter visto aquele sensual rosto em algum lugar. O sinal abriu e correu desvairada para a entrada, mesmo a tempo pois recomeçava a pingar. Gostava de frio mas sempre detestou chuva. Entrou no parque apressadamente, desceu ao piso -1, efectuou o pagamento na caixa automática e dirigiu-se ao seu carro, um belo Opel Corsa azul-turquesa que os pais lhe tinham oferecido no Natal passado. Colocou a mala de lado no banco, o café no suporte e trancou as portas, encontrava-se excitada e cheia de calor, desapertou a gabardine e puxou a saia para baixo que já estava a subir nas coxas. Ao ligar as luzes observou novamente o misterioso desconhecido a observa-la, estava encostado à parede a presenciar os seus movimentos, sentiu-se invadida por dentro, porque a observava daquela maneira? Ficou por momentos petrificada observando os seus movimentos, ligou o carro. Saindo do seu lugar de estacionamento afastou-se deixando o vulto para trás. Por instantes mexeu no espelho retrovisor procurando-o, tinha novamente desaparecido.
Maria regressou à realidade, sentia o coração a bater rápido, estava a fervilhar apesar do frio que fazia na sala. Levantou lentamente a camisola, deixando à mostra a sua barriga e o pequeno umbigo, a mão escaldava ao passar suavemente pela pele, percebeu então que o calor era devido ao estado de exaltação em que se encontrava. Ao abrir os olhos obteve a confirmação, os seus mamilos estavam completamente excitados, despontando na camisola cheios de tesão, não era normal sentir-se assim, tentada, com o corpo a transbordar excitação. Tornou a fechar os olhos, deixando-se levar pela imaginação. Aos poucos começou a massajar a barriga, as suas mãos deslizando pelo corpo conhecido, sentia breves arrepios e os minúsculos pelos arrebitavam à passagem das suas mãos. Lentamente a mão esquerda subindo no corpo, procurando desvendar o interior da camisola. Acabou por chegar ao seu seio esquerdo, volumoso, cheio de tesão, com as pontas dos dedos procurou tocar no mamilo, estava saliente e rígido, mordeu levemente o lábio inferior ao sentir o prazer do toque. Na sua imaginação surgiu então o estranho, relembrou o seu rosto, o olhar intenso que a deixou assim perturbada e inundada de desejos. Imaginou-o ali na sala, a observar o desenrolar dos acontecimentos. Num movimento delicado agarrou o fundo da camisola de pijama e despiu-a em direcção ao chão. O seu tronco totalmente nu ficou exposto, somente o fio de prata que tinha comprado recentemente se mantinha por cima da pele ainda bronzeada pelo sol de verão. Na ponta pendia uma borboleta de asas bem abertas, o seu animal predilecto. Deixou-se deslizar ainda mais no sofá, encontrava-se agora praticamente deitada, levou um dedo à boca chupando-o docemente até ficar bem húmido. Passou o dedo pelo mamilo sentindo arrepios percorrerem-lhe o corpo todo, estava em êxtase com tanto desejo que brotava do interior do seu corpo, adorava a sensação de acariciar o mamilo com pequenas ondas molhadas, que excitação. Levou vagarosamente a mão para debaixo das calças, sentiu o início das cuecas na ponta dos dedos, notava um calor anormal vindo daquela parte do corpo, questionou-se porque razão o desconhecido a estava a levar a este ponto? Os dedos deslizaram então para o cimo da sua cona, notava a cueca algo húmida da excitação e um simples escorregadela de dedos foi suficiente para comprovar a sua teoria, o centro do tecido ficou de imediato inundado. Por breves momentos acariciou-a por cima da cueca, amava sentir o roçar do nylon. Lembrou-se das vezes em que se deitava na cama a masturbar-se sozinha, dando prazer a si própria de uma forma tão íntima como agora estava a fazer. No entanto desta vez era diferente, o anseio teve um único culpado, um perfeito desconhecido que tinha mexido com ela. Num reflexo afastou um pouco as pernas para os seus dedos saborearem melhor o percurso. Resolveu matar o desejo entrando no interior da cueca, primeiro um dedo, depois outro, depois mais outro… até descobrir a pequena penugem que possuía, nunca gostou de se depilar por completo mas também nunca gostou de deixar crescer ali uma floresta. Mantinha a sua cona bem cuidada sempre que possível, somente com uma pequena penugem, acreditava que não só era mas higiénico como ficava bastante mais sensual. Notou que a penugem estava totalmente húmida à passagem dos dedos, soltou um breve gemido quando um dos dedos penetrou no interior da sua cona tórrida como um vulcão, parecia que ia haver erupção para breve. A cada passagem começava lentamente a perder o controlo de si mesma, o prazer do seu toque aumentava ao ritmo dos seus dedos a deslizaram no néctar quente, desvendavam agora os lábios grandes e pequenos. Por mais do que uma vez necessitou de se conter para não morder o lábio inferior, preferiu apoiar o braço esquerdo na testa tapando completamente os seus olhos bem fechados. Num impulso de luxúria invadiu a cona com um dedo, desbravando caminho para o interior da gruta húmida, estava fervilhando de desejo e a cada movimento de entrada e saída a sua respiração começava a dar de si, os seus lábios também não escaparam começando a ficar mais secos. Maria sentia o seu corpo a contorcer-se a cada guinada de prazer vindo do seu interior, por momentos imaginou que aquela mão marota fosse a do desconhecido, eram os seus dedos que realmente lhe apetecia sentir dentro de si, percorrendo o seu interior, descobrindo cada saliência provocante. Já não estava com ninguém fazia algum tempo, o seu último namorado nem a chegou a aquecer, quanto menos chegar ao êxtase sexual. Não andava numa maré de sorte com os rapazes e até já tinha pensado se não iria ficar para tia. Com a excitação do momento acabou por levar ambas as mãos às calças de pijama baixando-as para perto dos joelhos, da mesma forma agarrou as laterais da cueca e fê-la deslizar pelas pernas quentes, levantando somente um pouco o rabo. Abriu então paulatinamente as pernas massajando levemente com a mão esquerda as coxas e a penugem toda humedecida. Com dois dedos afastou gentilmente os lábios grandes externos da cona expondo à vista o interior rosado e molhado de excitação. Afastou os dedos o máximo que conseguiu para invadir o clítoris com o dedo indicador da mão direita, estava mesmo necessitada de prazer carnal, sentia falta de alguém dentro de si e não se fez rogada com a possibilidade de roçar e percorrer a pequena saliência mágica, crescendo a intensidade, aumentando a excitação a cada movimento do dedo, sentia a respiração cada vez mais instável, estava quase lá… Deixando-se levar pela luxúria não tentou mais conter o deleite e veio-se soltando um gemido incontrolável. As suas pernas contorciam-se com o percorrer do contentamento no interior do seu corpo, espasmos involuntários de prazer, juntou os braços em cruz sobre os seus seios, sentindo a pulseira de prata e o pendente de borboleta a contorcerem-se contra a sua pele, apertou intensamente as pernas para desfrutar totalmente do prazer. Era a primeira vez que se tinha masturbado no sofá da sala, deixou-se ficar ali quieta e calma a gozar o momento.
Regressou a si passado um momento que lhe pareceu interminável, a chuva continuava a bater na janela e apercebeu-se que o mesmo apresentador ainda estava de volta da mousse de manga. Imaginou quanto tempo teria passado, cinco minutos? Dez minutos? Aos poucos começou a abrir os olhos, lentamente reapareceu a sua sala no olhar esfumando-se o vulto. Sentou-se no sofá, encostando-se atrás, sentia a cabeça a andar à roda. Baixou-se um pouco para retirar as calças de uma perna, depois de outra, fazendo cair o pijama no chão junto do livro de matemática. Observou então as cuecas a meio das pernas, presas e entrelaçadas, baixou-se novamente para fazer sair a primeira perna, depois a outra. Continuava a sentir as cuecas húmidas, sentiu-se uma depravada por momentos, suja por dentro e por fora. Procurou a camisola, não a encontrava nem no sofá nem no chão, tinha a certeza que tinha de estar perto, iria colocar toda a roupa de imediato no cesto da roupa suja antes de a mãe chegar a casa do trabalho. Ao levantar-se sentiu os seus caracóis colados ao pescoço devido ao suor, estavam húmidos, necessita urgentemente de um banho. Levantou-se e encontrou finalmente a camisola perdida, estava na parte de trás do sofá. Apanhou o pijama e a cueca e juntou-as ao peito tapando os seus delicados seios. Foi até à janela espreitar o dia cinzento, afastou um pouco a cortina branca e ficou por momentos a contemplar a estrada encharcada de água da chuva que não parava de cair. De repente deu-se conta que procurava pelo vulto em cada recanto, estava a ficar paranóica com a situação, não era de todo normal sentir-se assim. Resolveu ali mesmo regressar ao Chiado na tarde seguinte depois de realizar o exame de matemática e almoçar. Lentamente deixou a sala dirigindo-se à marquise logo a seguir à cozinha, sentia nos pés o frio do mosaico. Deitou a roupa no cesto e retirou um corpo do armário, necessitava urgentemente de beber água devido aos últimos acontecimentos. Pouco depois rumou ao seu quarto e retirou um roupão cor-de-rosa detrás da porta e a habitual toalha de banho. Procurou a toalha para o cabelo lembrando-se depois que a tinha colocado para lavar fazia dois dias. Não perdeu o seu tempo em procurar uma nova, a toalha normal iria ter de servir. Rumou calmamente até ao quarto de banho lembrando-se pela primeira vez em alguns minutos que iria ter teste na manhã seguinte. Puxou a cortina da banheira para o lado e fez rodar o manípulo da água quente. Enquanto a água corria, a divisão era invadida por uma nuvem quente e húmida, Maria olhava-se ao espelho, aos 23 anos era uma bela mulher de cabelo e olhos castanhos. As maças do rosto estavam mais vermelhas do que o costume mas os seus lábios resplandeciam uma expressão especial, no fundo ela sabia que tinha gostado. Resolveu entrar no banho…


Fim

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9 comentários

  1. pijama com cueca devia ser proibido, mas é sem dúvida um bom começo! à partida, parece-me bem mais interessante do que o outro da revista. Haja imaginação e ainda vira romance!

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  2. carpe vitam!

    Obrigado pela visita a este pequeno recanto. Concordo contigo que pijama com cueca devia ser proibido mas, quase todas as mulheres usam cueca para dormir, sentem-se mais confortáveis. Podem não usar soutien mas cueca usam.

    Quanto à revista não sei do que falas.
    Espero o teu regresso...

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  3. cá estou eu de novo.
    a revista a que me referia é a Maria, claro está, também tinha (ou tem) um diário, mas não seria tão interessante como este teu.
    nunca percebi essa das cuecas com pijama. mais confortável? acho que revela alguma insegurança latente, isso sim. mulher que é mulher, não usa roupa interior para dormir e evita-a nas outras situações. ;)

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  4. A revista Maria, nunca lá chegaria pois não faz parte da minha cultura literária. Nem sabia que tinha um diário.

    Sim acredita que é mais confortante, questiona uma rapariga e obtens essa resposta. Elas não são nem pensam como nós homens...

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  5. LoL... Mas quem foi que te disse que eu sou homem?

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  6. carpe vitam

    Welcome Back
    Temos então uma moçoila desse lado?
    Alguém que se recusa a usar pijama e cueca para dormir :)

    Beijos

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  7. Olá

    Ainda só li este texto, mas gostei mesmo muito. Bem escrito e com imaginação. E melhor de tudo, um homem a escrever na versao feminina. Muito bem conseguido. Não é para todos.
    Contudo tenho a apontar logo na primeira frase em que escreveste a mais uma vez "em". E que escreves demasiadas vezes ratinha, e se calhar não fica muito bem.

    beijinhos

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  8. Anónima

    Bem vinda ao meu pequeno recanto e obrigado pelas palavras. Se seguires as regras do blog, ou seja leres do post mais antigo até ao mais recente, vais encontrar um enredo engraçado entre as personagens e uma evolução na escrita do narrador da história. Todos acabamos por evoluir :)

    Obrigado também pelo identificação dos erros, vou corrigir...
    Beijo ***

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